quinta-feira, 28 de março de 2013

ARETUZA E O FAUNO – UM ASSÉDIO PERENE

Aretuza, a musa (de Francisco Leopoldo e Silva), sedutora e reticente, passa os dias nua e incomodada  no Trianon (Parque Tenente Siqueira Campos), do outro lado da Avenida Paulista e fora do conforto do MASP. Cada manifestação que acontece no vão arrepia sua pele alva de mármore polido.

No mesmo canteiro, poucos metros distante, por castigo dos Zeus dos parques e jardins da prefeitura, mora o lascivo e atrevido Fauno (de Brecheret), anguloso e modernista.

O Fauno cafajeste, dia e noite, lança olhares libidinosos e libertinos para a musa calipígia. Aretusa, envergonhada, constrangida e ofendida, vira o rosto e se esconde entre as folhagens, tentando ocultar a bela bundinha do olhar insolente e petulante.

Aretuza é uma ninfa recatada e tímida, faz parte da comitiva de Ártemis, e como sua deusa, é virgem e avessa ao amor físico.  Sua nudez indevida se deve a uma indesculpável licença poética do escultor. Por isso, pudicamente, com a mão nas costas, tenta esconder seu erótico ‘cofrinho’... Entretanto, numa dessas idiossincrasias femininas – de que a Moda é um exemplo – deixa à mostra o resto do tesouro.

Como Aretusa e o Fauno são de pedra, quase eterna, a encenação do flerte perpétuo ficará para sempre congelada, como "l'instant décisif" de Cartier-Bresson.

Nas o namoro pode ser muito mais antigo, as crônicas paulistas falam que começou antes do Trianon, na Galeria Metrópole e Praça Dom José Gaspar (Ver >>> Passeando no Bosque dos Bispos).

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