sexta-feira, 12 de abril de 2013

CADÊ O ADONIRAN?


Adoniran virou mito, logomarca, emblema, estandarte. Infinitamente multiplicado por todo lugar, nos muros, camisetas e esquinas. Feito a foto ultra saturada de Marilyn Monroe, de Andy Warhol.

Deve estar tatuado em muito peito e bunda por aí, igual à foto de Che Guevara, de Alberto Korda. Pena, por que quando um signo se descola do significado acaba ficando igual a um grampo ou tacha, só serve para prender no corpo a insustentável leveza dos sonhos, dos desejos e dos ideais. Vira enfeite e nada mais.

O Adoniran que PAULISTAVA a cidade era outro, era o João Rubinato que palmilhava anônimo as ruas de São Paulo até gastar a sola do sapato.

Que brincava com as dificuldades dos migrantes e imigrantes em dominar o português e, por empatia, inventou uma nova língua para eles, o ‘PAULISTÊS’.

Que corria os bairros atrás de bailes dos Nicolas, Árvaros e Arnestos e pretendia fazer uma música para cada rua onde tinha um 'chapa'.

Esse, que tratava a cidade com amor, carinho e ternura, anda desaparecido, soterrado, sumiu das lojas de discos e dos meios de comunicação. Vida dura. Ele reclamava: “Porque as rádios não tocam meus sambas? Por quê? Algum crime que fiz?” (CD Documento Inédito).





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