sábado, 27 de abril de 2013

NAS ESCADAS DO TEMPO...


Um comentário:

  1. Mensagem de Holbein Meneses, marido da artista, que me presenteou esta tela.

    "Obrigado, Amigo!

    Ponha lá no “Paulistano” o comentário abaixo, do Dr. Victor Manoel Andrade, Analista Didata da Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro, Membro Efetivo da International Psychoanalytical Association (IPA), Membro Fundador da International Neuro-Psychoanalysis Society, e autor de livros científicos.

    A arte de Jarina Menezes

    A maneira como Jarina pintava se assemelhava à de Freud na elaboração de "A interpretação dos sonhos", cujos capítulos disse saber como iniciava, sem ter ideia de como ia terminá-lo. Porém, ao contrário dele, que partia de conhecimentos científicos prévios acrescidos dos dados retirados da prática clínica, a artista plástica simplesmente seguia impulsos provenientes dos mais secretos desvãos de sua alma, que pareciam dominar-lhe as mãos, e estas exprimiam com técnica apurada o que lhe brotava do fundo do inconsciente. Autodidata não afeita a princípios formais, sua arte era única e, por assim dizer, idiossincrática; considerando essa característica e a simplicidade de seus traços, poder-se-ia, numa simplificação apressada, qualificá-la de artista naïf. No entanto, a complexidade estrutural de sua arte não se coaduna com essa conceituação. O perfeccionismo refinado de seu nanquim dá expressão a processos anímicos sutis captáveis por quem tenha a capacidade empática de identificar-se com eles, ou por quem tenha conhecimento da alma humana suficiente para descer àquele rincão metapsíquico situado além da psicologia, que tangencia a fonte biológica da mente. Com efeito, alguns de seus quadros entremostram visões fantasmáticas de células embrionárias com as feições que tomariam depois de desenvolvidas. Essas imagens desvelam uma representação de partes do embrião humano entrelaçadas por liames sugestivos de cordões umbilicais. Esse imaginário, que se expressa de forma onírica, não diz respeito apenas aos sonhos dos humanos adultos, mas provavelmente também aos de seres intrauterinos. Nessa perspectiva, antes da demonstração neurocientífica de que o feto sonha, assim como todos os mamíferos o fazem, o ego inconsciente de Jarina já intuía isso, e sua mão registrava a percepção inconsciente por meio de sofisticado nanquim. Assim, em vez de arte naïf, talvez fosse mais apropriado dizer que Jarina produziu uma espécie de surrealismo concreto ou de concretismo onírico, por dar expressão a estados oníricos em sua fonte quase biológica. Apreciadora de Bartók e Miró, tem-se às vezes a impressão de que a música do húngaro e as formas e cores do catalão se acasalaram em suas telas, onde interagiram em simbiose mágica.

    Rio de Janeiro, 29 de junho de 2014."

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