quinta-feira, 2 de maio de 2013

A PRISIONEIRA N

Prisioneira N

N é uma cativa voluntária,
usa roupas de seda,
lentes verdes
e me seduz.

Degusta comigo cognacs raros
e conta os dias com nós em barbantes.
De noite se desmancha em deleites
e planeja fugas mirabolantes.

Toda terça de Sol ela se evade
e só retorna no fim da tarde.
Chega perfumada, sem alarde,
e se aquieta azul atrás da grade.

Nas quintas de chuva
se veste de viúva,
passa o dia inteiro de luva,
faz beicinho e come guloseima.

Sabe que somos cúmplices
e prisioneiros do mesmo poema.






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