terça-feira, 7 de maio de 2013

TESOUROS PAULISTAS - IGREJA DA CONSOLAÇÃO


Entre 1890 e 1950 S. Paulo explodiu. De uma cidade mediana, menor que várias capitais nordestinas, virou o maior centro do hemisfério Sul. Passou de 130 mil para 2,3 milhões de habitantes, se multiplicou 18 vezes e se renovou arquitetonicamente.

Lembram da frase S. Paulo não pode parar? Nossa urbe era rústica, nunca teve grandes construções colonias, e as poucas que possuía foram postas abaixo para dar lugar as coisas novas. Sobraram raros exemplos, como a Capela de São Miguel, a Igreja do Carmo e o Mosteiro da Luz. Nossa paisagem urbana é recente, do seculo XX, os edifícios mais velhos são apenas centenários, eventualmente sesquicentenários.  

Dom Duarte Leopoldo e Silva, o primeiro arcebispo de S. Paulo, não tinha dúvidas, substituía as velhas capelas colonias por igrejas novinhas em folha (Clique: CADÊ NOSSAS CONSTRUÇÕES COLONIAIS). Perdemos para sempre monumentos históricos, mas ganhamos um incomensurável acervo artístico da transição modernista espalhado pelos nossos templos. Arte de graça, basta entrar e paulistar.  

A Igreja da Consolação, por exemplo, construída em 1909, na beira do Peabiru (a trilha Inca) em cima da antiga capela e de um terreno comprado da omnipresente dama paulistana D. Viridiana, guarda um tesouro. Na sua câmara mágica  a Capela do Santíssimo (clique) – cercada de silêncios eleitos, sombras doces e vitrais 3D, seis belíssimas, imensas e imperdíveis telas de Benedito Calixto estão esperando visitantes. Um dos pintores responsáveis pela consolidação da iconografia brasileira, e, popularmente, o gerente da feirinha de artes e antiguidades de sábado na praça que leva seu nome.

Milhares de pessoas todos os dias passam de frente correndo, apressadas, com o espírito se deligando do corpo, feito pipas descabeçadas. Seria bom que parassem um pouco para reapertar os parafusos da alma  religiosa e artisticamente. Podiam aproveitar e visitar a AUGUSTAÇÃO, a confluência da Augusta com a Consolação, onde acontece muita coisa, cada vez mais.

4 comentários:

  1. Sempre que vou pra sampa e saio em minhas "caminhadas urbanas" aproveito das belezas do interior dessa igreja, e é mesmo uma maravilha.
    Saudade de Sampa!
    abraço ribeiraopretano!

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  2. Quando vier para Sampa me avise que te levo para conhecer duas especiais, com direito a segredos e mentiras: a Consolação e a Santa Efigênia, com vitrais de Veneza.

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  3. Meu avô, um simples serralheiro, fez a porta!

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  4. Puxa, que lembrança bonita. E qual era o nome dele? Gostaria de deixar registrado.

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