quarta-feira, 31 de julho de 2013

JANELAS DE FERMI

As meninas do grupo se espantaram quando Aélia publicou um artigo, bem ‘mulherzinha’, numa revista feminina. A novidade espantava, porque sua extensa bibliografia continha apenas teses e participações em livros e revistas científicas. Aélia Mossato, pesquisadora associada do SETI Institute, era um nome reconhecido na Astrofísica e Meteorologia Planetária, especialista em erosão eólica.

Minha amiga explicou o motivo daquela extravagância repentina. Três meses antes, Reginaldo Balbo, um falastrão da televisão, que se metia a entender de tudo, escreveu uma matéria provocativa: ‘Solteirona porque chata? Ou vice versa?’ Aélia ficou possessa, telefonou para uma conhecida da editoria e se propôs a redigir uma resposta técnica e elegante. Produziu um texto interessante e inusitado, porém, não muito otimista: ’As Janelas de Fermi e os homens inteligentes’.

Era previsível, a cabeça de Aélia, desde garota, havia sido abduzida pela pesquisa de alienígenas, assim abordou o eterno problema da busca do parceiro ideal com base no famoso Paradoxo de Fermi sobre inteligência extraterreste, mais precisamente usando o argumento das ‘Janelas de Oportunidades’.

terça-feira, 16 de julho de 2013

MESTRES DO RENASCIMENTO NO CCBB – 3 PITACOS

A exposição Mestres do Renascimento no CCBC – Centro Cultural Banco do Brasil é absolutamente obrigatória. Quando haverá outra chance de ficar à 70 cm de Leda e o Cisne (Leda e il Cigno) de Leonardo da Vinci? Quando estas obras raríssimas (o belo e iluminado Sant’Agostino Scrivente de Botticeli) estarão juntas de novo? Quando a coleção se dispersar, nem mesmo uma viagem por toda Itália poderá reuni-las novamente.

Pretendo revisita-la, várias vezes.

Enquanto isso arrisco 3 pitacos:

i) A qualidade de todas as imagens estão sublimes, excelentes. Um adepto das teorias de conspiração poderia imaginar que são apenas cópias, recém produzidas, passeando pelo mundo. Algumas cores são únicas, não as veremos jamais, porque são invenções pessoais dos artistas.



ii) A curadoria estava inspirada, conseguiu mostrar os vários ‘renascimentos’ que aconteceram dentro do Renascimento. Surrealismo, Dadaísmo e Futurismo, por exemplo, são ramos variados, enfeixados no rótulo Pintura Moderna. Talvez os diferentes ‘renascimentos’ nas várias cidades e regiões italianas tenham apresentado uma gama até maior de diversidade.


iii) Curiosamente cada pintor escolhe um rosto para sua Virgem; cada artista imagina a Santíssima de forma própria e particular, ou encontra a modelo perfeita; depois repete o rosto em todos os quadros que cria. As Madonas de Piero di Cosimo sempre me impressionaram, são especiais, têm mais a cara de povo. Usei esse gancho inusitado no meu continho Madona de Norwegian Wood (clique).

terça-feira, 2 de julho de 2013

1913 - QUANTO GASTAVA UM AUDIÓFILO COM O SISTEMA?

Audiofilia é gostar de ouvir música reproduzida utilizando equipamentos de alta qualidade. Uma definição simples, prática e operacional, que permite apartar os que curtem apenas música, independente de aparelhos, e distinguir os que somente apreciam espetáculos ao vivo. Porque no DNA do audiófilo precisam coexistir dois genes, ambos imprescindíveis: o amor pela música e a valorização dos equipamentos. É da junção de ambos impulsos que eclode o hobista.



Agradecimento: Édison Christianini
Audiófilo, uma figura sempre apaixonada. Hoje em dia um praticante compromissado com o hobby, e com disponibilidade financeira, pode gastar (conforme tabela ao lado) 120 mil dólares, ou mais, para montar um sistema de boa qualidade. Em 1913 certamente já havia audiófilos (vide: 1894 - O ANO EM QUE A AUDIOFILIA NASCEU...), como sempre uma parcela pequena dos consumidores, entretanto capaz de investir grandes somas no prazer de ouvir música reproduzida com qualidade. Isso coloca uma questão interessante: quanto gastava um desses proto hobistas no começo do século passado com seu sistema? Considerando os valores relativos dos equipamentos naquela época e agora?