quinta-feira, 26 de setembro de 2013

CADÊ NOSSAS CONSTRUÇÕES COLONIAIS?

Considerando a fundação oficial – com pelourinho, Câmara de Vereadores, essas coisas  S. Paulo está entre as cinco cidades mais velhas do Brasil. As outras se espalham pelo litoral paulista. Apesar disso, infelizmente, não possuímos muitas construções coloniais, edifícios erguidos nos séculos XVI e XVII. Exceto a Igreja da Venerável Ordem Terceira do Carmo – perto do Poupatempo da Rangel Pestana – construída em 1642, segundo o livro da história da irmandade.

Deve ser visitada, guarda uma coleção de obras do Frei Jesuíno de Monte Carmelo. Os êxtases de Santa Teresa d'Avila, salvas da demolição do Recolhimento de Santa Tereza em 1920, e o belo e famoso afresco no teto. Fica na beira do Caminho do Peabiru >>> Clique


Outro tesouro apontando por Mario de Andrade era a Capela de São Miguel Arcanjo, de 1622 – o templo mais velho do estado. Porém, hoje, fica no município de Guarulhos, perto do aeroporto: Piquerobi e a Capela de São Miguel Clique >>>a de São Miguel >>> Clique.

Quase tudo que vemos pela cidade é novo, recente, em geral centenário, pouco sesquicentenário, raramente bicentenário como o Mosteiro da Luz, por exemplo).

 Na virada do século passado SP foi demolida e reconstruída novamente, nessa metamorfose inventou a modernidade e o modernismo brasileiro. Dom Duarte Leopoldo e Silva  o primeiro Arcebispo de São Paulo  era um progressista resoluto e pertinaz, derrubou todas nossas pequenas capelas e igrejas colônias e oitocentistas para construir outras maiores no lugar. Não dá para decidir com certeza se, conclusivamente, foi uma perda ou um ganho?

S. Paulo nunca teve construções colônias portentosas. Sempre foi comunidade pobre, relativamente atrasada, avessa à ostentação, com modestas construções de taipa de pilão. Era uma cidade canhestra, faltava vida social, artesões competentes e pedreiras próximas.

Avaliando tudo, talvez Dom Duarte tenha feito uma boa aposta: perdemos alguns edifícios antigos e não muito importantes, entretanto ganhamos, nas nossas igrejas e prédios públicos, um imenso acervo de obras modernas e modernistas, algumas vindas dos grandes centros artísticos europeus.

Afinal, com o entroncamento ferroviário e com o dinheiro do Ciclo do Café, valia a pena investir em S. Paulo, já podíamos curtir e pagar.

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