quinta-feira, 28 de novembro de 2013

TBC - Teatro Brasileiro de Comédia em Reforma

Abril/16 - Mau noticia: as obras de restauração do TBC estão paralisadas, retiraram as placas e esqueceram os prazos.

Ainda bem que me enganei. Meses atrás escrevi, achando que o prédio iria virar estacionamento.
Clique: Meu Adeus ao TBC-Teatro Brasileiro de Comédia). 

A verdade, felizmente, é outra. 

O TBC–Teatro Brasileiro de Comédia, na Rua Major Diogo, 315 – Bela Vista (ou Bixiga), está passando por uma reforma de grandes proporções, abrangerá toda sua estrutura. Vai expandir em muito sua área útil. Deve transformar o histórico TBC num centro cultural dedicado ao Teatro, numa instituição de tamanho compatível com a S. Paulo do Século XXI. Porque, em 48, quando foi fundado, éramos apenas 2 milhões de habitantes. E, uma cidade deve ser capaz de crescer, mantendo sua história e suas tradições, 

E tem mais, eu acredito em Musas e Fantasmas, tenho certeza que elas e eles habitam a mente intuitiva das pessoas inteligentes. Assim Tália, da comédia, a máscara alegre; e Melpômene, da tragédia, a máscara triste; ajudadas por centenas de grandes artistas que passaram pelos palcos, e transitam pelo passado glorioso do TBC, devem estar trabalhando para concretizar a restauração, a preservação e a ampliação.

Sugiro encher o espaço de bustos, placas, fotografias e todo o tipo de homenagens aos diretores, atores e atrizes - assim os fantasmas amados saberão onde pousar e descansar. 

Merecem, porque ensinaram aos paulistas e visitantes como compreender e relativizar os sentimentos humanos.

Vou mencionar alguns, por prazer e para dividir as lembranças:

Adolfo Celi, Ziembinski, Cacilda BeckerMaria Della Costa, Sergio Cardoso, Paulo Autran, Walmor Chagas, Nydia Lícia, Jardel Filho, Cleyde Yáconis...

...E Odete Lara, ainda viva, minha estrela e musa da vida inteira, deste dos 19 anos, quanto tive a coragem de invadir seu camarim e me apaixonei. 

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

1929 - A AUDIOFILIA NA 'ERA DO RÁDIO'


A Era do Rádio – ‘Golden Age of Radio’ , 'Old-time Radio', ou ‘Radio Days’ (como no filme de Woody Allen) – segundo os cronistas, aconteceu entre 1925 e 1950, e alcançou o auge nos anos 30 e 40. No Brasil, começou e acabou um pouco mais tarde, porém teve desdobramentos, consequências e significados, sociais, políticos e culturais, semelhantes.

No mundo da Audiofilia, no meio dos 20 os números começaram a despencar, o comércio de ‘victrolas’ e discos virou uma flamejante batalha de marketing, repleta de promoções e liquidações. Estas ações agressivas retardaram o impacto das ondas do Rádio, mas a crise estourou junto com a Grande Depressão. A mudança de comando e rumos foi assinalada por uma negociação emblemática: a aquisição, em outubro de 1929, da Victor Talking Machine Company pela RCA-Radio Corporation of America.

Até o Wall Street Crash  através de diversos ‘selos’ e empresas associadas  Victor era uma potência, líder mundial na produção de toca-discos e discos gravados. Mantinha sob contrato os mais famosos artistas da época, principalmente da Música Clássica, o mais ‘audiófilo’, sofisticado e lucrativo segmento do mercado (vide: 1913 – Quanto gastavaum audiófilo com o sistema?  e   1925 - 'Overdubbing – Fim da fidelidade nas gravações)


segunda-feira, 18 de novembro de 2013

VALUZ – A LUA BAILARINA


1 – Rizoma

Por milhares de anos, quando o cálido sol amarelo-alaranjado de Rizoma se escondia, somente as estrelas – as iluminadas e distantes moradas dos deuses – brilhavam nas trevas. Então, um dia, uma rutilante flor bailarina brotou na escuridão, e as noites nunca mais foram as mesmas. O povo criou lendas para explicar o aparecimento do satélite Valuz nos céus do planeta.

Os bisavôs contavam que, muito tempo atrás, surgiu no céu um pequeno ponto de luz, quase invisível, perdido entre as menores moradas divinas. Nas noites seguintes perceberam que a luzinha se movia. Alguns afoitos inventaram que Mui, o príncipe tímido, havia criado coragem de visitar Slia, sua namorada. Constataram, porém, que a cintilação aumentava e mudava de forma, ficava parecida com uma flor.

Com o tempo uma gérbera imensa resplandecia na noite, dezenas de pétalas douradas se abriam em torno de um pontudo botão prateado. Como um cometa passou rápido por Rizoma e se eclipsou atrás do sol. Reapareceu do outro lado num movimento valsante, feito uma flor soprada por ventos brincalhões. Deu algumas voltas dançantes em torno de Rizoma e se aquietou. As pétalas encolheram, igual a um botão fechando, e a estranha flor bailarina se transformou numa semente cumprida. Lembrava às alvas vagens volantes e esponjosas que carregavam as três castanhas das altíssimas árvores-torres.

Foi uma época de medo, deslumbramento e desassossego.