terça-feira, 17 de junho de 2014

A Obstinada Resistência das Casas

Resistentes e frágeis – como os papéis de seda que envolvem velhas lembranças – algumas casas antigas sobrevivem apesar dos bombardeios e explosões imobiliárias. Atacadas por pichações, enroladas por fios elétricos e telefônicos ou cercadas por agulhões de concreto. Parecem rosas de Hiroshima indestrutíveis, ou pérolas salvadas no meio de conchas trituradas.




Algumas demolições são trágicas e irreversíveis, perder certas casas é como extinguir uma espécie rara. São universos de lembranças, emoções, esperanças e modos de vida que viram entulho. A História da cidade vai diretamente para as caçambas.

Será que num planeta com 7 bilhões de habitantes – e crescendo, que defende valores transversos e pouco racionais, é possível frear, organizar e direcionar o progresso? Podemos controlar a expansão das construções desgovernadas que avançam feito um rinoceronte cego derrubando tudo? Com incentivo ou inação pública.



O que resta são dois cenários de Ficção Científica. 

Primeiro, ou as casas antigas e os prédios históricos se transformam em itens ultra valorizados, objetos de desejo – como acontece em várias cidades do mundo – tonando-se curtidíssimo e refinado morar neles.

Segundo, ou teremos as vias Matrix e Blade Runner: declaramos nossa falência e as máquinas (ou ganâncias) obtusas tomam conta de tudo, destruindo integral e obstinadamente toda a memorabília humana.
A resposta, até agora, indica que a destruição é inevitável. A única regra vigente é ocupar áreas verdes e maximizar o uso do espaço urbano, porque a população aumenta e se concentra sem parar.








CASAS JÁ DEMOLIDAS


Um comentário:

  1. Simpatizantes com memórias Paulistanas, convido para conhecer nosso trabalho com São Paulo; http://www.edudasaguas.com.br/saopaulotemas/

    ResponderExcluir