quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Outonos em S. Paulo

Sentado na Praça Roosevelt e olhando para as luminárias espaciais, depois a torre meio gótica da Igreja da Consolação; junto com o futurista e efêmero Hotel Hilton – hoje gabinetes de desembargadores – e, entre ambos, o edifício que acolheu o antigo Bar Redondo, é impossível controlar o atropelo das lembranças.
Sobretudo porque em S.Paulo as estações do ano são como crianças travessas, não seguem regras e não cumprem calendários. Primaveras saltam de dentro de invernos e outonos se escondem nos verões. Ás vezes todas quatro brincam de roda no mesmo dia.
Por isso a sutil elegância das meninas paulistas confunde os migrantes e atordoa os turistas caetanos. É coisa mais pessoal, bandeirante. Engana a Moda, não depende das roupas, reside mais perto da pele. As paulistinhas sorriem imprevisíveis, como as estações. São invernais, outonais ou primaveris, sem obedecer a nenhum critério. Certeza? Apenas que o riso-verão, que esquenta e excita, está reservado para os namorados.
As transições das estações em S. Paulo são inesperadas, mágicas e misturadas. Ordem e sequência não são respeitadas. O tempo de recolhimento é cheio de quietude ou ousadias, o romantismo é tomado de entusiasmos e o planejamento abriga conclusões provisórias. Em dúvida, meio tontas, as cores ficam mais carinhosas e cambiantes. Coquetes, as possibilidades brotam coloridas como margaridas do campo e todo mundo sonha com coisas impossíveis ou inacreditáveis.
Nas caminhadas tanto podemos ver novas florações iridescentes, como afundar os pés em folhas caídas (talvez dos vasos das janelas), ambas nas mesma rua. 
Porque em S.Paulo, sempre existe mais de uma opção; sem contar com as impensáveis.

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