quinta-feira, 24 de novembro de 2016

PIRATEANDO 2001 – Uma odisseia Nerd

A primeira vez que assistimos 2001 foi logo depois da estreia em S. Paulo, no Cine Comodoro, no infindável ano de 68. Éramos um grupo pré nerds, porque, como este termo bacana não tinha ampla circulação, o pessoal ainda nos chamava de CDFs ou babacas mesmo.

Quando acabou a sessão ficamos feito aquele osso girando no espaço, encalacrados na maior elipse de tempo da História do Cinema Mundial, sem entender nada, perdidos no vácuo interplanetário e epistemológico, incapazes de completar a transição para acoplamento na estação espacial.

Naquele tempo era possível, por isso permanecemos pasmos e sentados no mesmo lugar esperando o enigma recomeçar. Congelada na cabeça, estava a última imagem da tela, um feto querendo voltar para o cálido conforto do ventre materno. Abobados mergulhamos na próxima exibição.

De nada adiantou ver de novo, as dúvidas se multiplicavam exponencialmente.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

POLISBENA DE GRAFITES


Esperei uma semana inteira antes de entrar no Beco dos Arquitetos, evito transitar no mesmo espaço-tempo da polícia. Não gosto do jeito como os gambés nos olham. Para as pessoas grandes os anões são invisíveis, todos parecidos. Ninguém consegue enxergar direito o rosto dos Meios. Quando nos fitam, ao invés de ver, projetam em nossas faces uma imagem qualquer que trazem pronta na cabeça, de algum livro, circo ou filme. Quase sempre com as feições de uma criança esquisita. É melhor assim, passamos despercebidos, viramos coletivos indistintos. Os meganhas são diferentes – deve ser o treinamento – nos encaram esquadrinhando cada traço, comparando com algum catálogo de aberrações.

Por isso fiquei distante, esperei tranquilo que fizessem o trabalho deles, coletassem as provas e fossem embora.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

HOTEL ESPLANADA - Sala de Visita da Paulícéia Desvairada


Até 1890 S. Paulo possuía apenas 64.934 habitantes. Além da velha Faculdade de Direito, destacava-se, principalmente, como uma paragem de imensas tropas de burros em direção ao Porto de Santos. Na Semana de Arte Moderna de 22, apenas 32 anos depois, chegou a quase 600 mil. Dez vezes mais pessoas viviam então na urbe que Mário de Andrade chamava de Paulicéia Desvairada.

Nesse intervalo a capital dos paulistas havia se transformado no maior entroncamento ferroviário do país. Todas as capelas e acanhadas igrejas coloniais foram derrubadas e, no lugar delas, construído um magnifico conjunto de templos que enfeitam, ainda hoje, a paisagem da cidade. O Teatro Municipal foi edificado e suntuosamente inaugurado. O sinistro brejo do Anhangabaú foi drenado e convertido num parque urbano sofisticado, cercado de palacetes e decorado com estátuas. Edifícios começavam a crescer por perto e bairros chiques brotavam em torno do Centro.