quarta-feira, 27 de julho de 2016

OSCAR PASSOU POR AQUI


Oscar Niemeyer passou por S. Paulo muitas vezes, deixou seus rastros sinuosos espalhados por diversos pontos da cidade.

Vastos conjuntos arquitetônicos exibem seus traços sestrosos: o Ibirapuera – que o povo visita, frequenta e convive; e o Memorial da América Latina – perpetuamente deserto, feito cenários dos filmes de Michelangelo Antonioni.

Ao menos, por três vezes trabalhou no Centro Novo, participou do projeto ou construiu edifícios de apartamentos, que, até hoje – entre retas e curvas, secas e chuvas – preservam e se beneficiam de suas ideias e paradigmas.

   a) Edifício Montreal – esquina das Avenidas Ipiranga e Cásper Líbero.

   b) Edifício Eiffel – Praça da República com Rua Marquês de Itú.

   c) Edifício Copan – Av. Ipiranga (perto da Igreja da Consolação)

Infelizmente não deixou nada grande na Avenida Paulista. Talvez por isso, quando olhamos para Conjunto Nacional sentimos falta de curvas e fantasia.

terça-feira, 12 de julho de 2016

SPantos

[...]
|| 01/outubro/2017 ||
Na parede da casa de Ibiúna/SP, do Professor Doutor Júlio Croce (1918/2014), talvez o maior especialista em alergia do Brasil.

|| 2017/agosto/10 ||  
Pedreiro Criativo?
Muro na esquina das ruas Venezuela e Nicarágua.

|| 2017/julho/31 ||  
Até o século XVIII os enterros eram nas igrejas, quem contribuía mais repousava dentro delas, para ser lembrado por Deus no dia do Juízo Final. Uma lápide circular confirma que Fernão Dias Paes Leme, Governador das Esmeraldas ‒ que muito ajudou os beneditinos ‒ espera o paraíso defronte ao altar principal do Mosteiro da Ordem.

|| 2017/julho/26 ||  
Árvore de Macunaína – Fica, numa licença geográfica, na confluência do Maranhão com o Rio de Janeiro, duas ruas de Higienópolis. No blog – ‘quando a cidade era mais gentil’ (https://quandoacidade.wordpress.com/2012/12/08/a-arvore-de-macunaima/) com fotos e memórias sobre S.Paulo – Martin Jayo palpita que esta maravilha é a ‘Dzalaúra-Iegue’, a ‘arvore que dá todas as frutas’, imaginada por Mario de Andrade no famoso romance ‘Macunaíma’. Na história o gigante Piaimã, Venceslau Pietro Pietra, vivia no fim da Rua Maranhão com vista para o Pacaembu.

|| 2017/julho/04 ||
Horto Florestal - S. Paulo treinando para o outono castanho-vermelho.

|| 2017/junho/07 ||
‘A Obstinada Resistência das Casas’ (veja).
SPanto este exemplo. 3 casas permanecem desafiando os grandes prédios e garagens entreguistas na Rua Fortunato, Bairro de Santa Cecília.
Leia mais >>> http://www.paulistando.com.br/2014/06/a-obstinada-resistencia-das-casas.html


|| 2017/junho/02 ||
Houve tempo que os edifícios do Centro tinham muitos Belvederes e Terraços Pergolados no alto deles. Este interessante Belvedere circular, no começo da Avenida 23 de Maio, perto da Praça da Bandeira, deve ter uma vista magnífica. 



|| 2017/maio/31 ||
Fim de Maio, para quem vem de Santana, Paulo céu e sol de outono. De cima do 'buraco da Erundina'. 

|| 2017/maio/23 ||
Jardins do Dória, Prefeitura de S. Paulo, antigo Prédio das IRFM. 
Sic transit gloria mundi - As glórias do mundo são transitórias.
Houve tempos que os Matarazzos estavam entre as cinco famílias oriundis mais ricas fora da Itália.

|| 2017/maio/18 ||
O céu plúmbeo e a figura esdrúxula e ridícula parecem a politica brasileira hoje.
Lateral de um prédio na Rua Rego Freitas.


|| 2017/abril/28 ||
Segundo Hernâni Donato, no livro 'Pateo do Collegio', em 1556, S. Paulo tinha muralhas e defesas, do Anhangabaú até o Tamanduateí. Projeção da localização delas nos dias atuais.

|| 2017/abril/16 ||
São Paulo é o labirinto
que melhor conheço,
Tanto e tão fundo,
que muita vez
com o Minotauro
se me confundo.
Mais sobre o livro: http://www.paulistando.com.br/2017/03/labirintos-8-rotas-de-fuga.html  
Praça Dom José Gaspar – Centro Novo




|| 2017/março/30 ||
Continuamos na luta, mas ainda não vencemos.
Rua Dom José de Baarros, 51 – Centro Novo – República



|| 2017/março/29 ||
Marcas de Alienígenas do Passado perto do Obelisco do Ibirapuera, onde, no começo do século XVII, Cristóvão Arzão e Clemente Alvares já fundiam ferro.



|| 2017/março/28 ||
É o Banco Francês e Italiano na Rua Quinze de Novembro - um prédio belíssimo e inesperado naquela região cinza e sisuda. Curioso, mas é impossível passar por ele sem pensar que poderia ser a casa da Julieta do Romeu.


|| 2017/março/15 ||
Por causa do desenho de inspiração Maia, o Prédio Tribunal da Justiça (Pátio do Colégio) é um dos edifícios mais curioso e bonitos de S. Paulo. O arquiteto Felisberto Ranzini pensava fora do quadrado.



|| 2016/dezembro/20 ||
Existem muitas formas de encontrar a Consolação, inclusive pela Rua Rego Freitas, onde – neste trecho – nasceu o sempre menino poeta paulista Paulo Bomfim.


|| 2016/dezembro/16 ||
Guerras USP-Mackenzie 64-68. Moços de palito, gravata e óculos fazendo revolução. Rua Maria Antonia, de costas para a Veridiana em busca da Consolação. Foto da foto do Centro Universitário Maria Antonia USP.

|| 2016/dezembro/13 ||
Avenida São Luís, esquina Consolação, mais o Edifício Viadutos de Artacho Jurado. Existem infinitas formas de olhar S. Paulo, em muitas delas a cidade continua bonita e romântica.

|| 2016/dezembro/11 ||
Existem muitas S. Paulos paralelas, inclusive as desertas. Minhocão no sábado enfarruscado de última semana santa. Sobraram apenas pessoas pintadas.

|| 2016/dezembro/09 ||
Será que estão roubando o nosso coração? O Centro de S. Paulo vai, pouco a pouco nos sendo interditado. Abduzido pela inação? Do terraço do Edifício Copan (Foto de Marco Antônio).

|| 2016/dezembro/06 ||
Capela do Menino Jesus e Santa Luzia – Rua Tabatinguera, 104 – Construída, em 1901, por Maria de Almeida Lorena Machado, bisneta do Conde de Sarzedas, em homenagem ao Menino Jesus e Santa Luzia, santos de sua devoção, depois de ter se salvado de um naufrágio junto com imagem do Menino Jesus de Praga. Aos domingos ainda têm missa em latim.

|| 2016/dezembro/02 ||
Viaduto Santa Ifigênia – fundição belga assentada sobre pilastras alemãs. Pela primeira vez S. Paulo se endividou para servir a população.
Cena paulista: postes de luz, Banespão, a bandeira de 13 listras e a infecção dos ‘pixos retos’.

|| 2016/dezembro/01 ||
Vila Itororó ― O que devemos fazer com ela? Três palacetes sobrepostos, 37 casas e a primeira piscina de S. Paulo. Delírio arquitetônico do construtor Francisco Castro, a partir de colunas salvadas do Teatro São José (hoje Shopping Light).
Ideias ou vontade, o que falta a nossa cidade? Ir no Itororó beber água e não achar?


|| 2016/novembro/30 ||
Parece o paredão de um canyon escavado pelo tempo e erodido pelo vento. Gothan City com morcegos à espreita, um urubu nas alturas voa...
Mais são as ruínas de um belíssimo conjunto de apartamentos, ainda habitados, na Rua Carlos de Souza Nazaré, entre o Mercadão e a 25 de Março.


|| 2016/novembro/29 ||
Largo da Memória ― Chegando a S. Paulo num dia ensolarado, no começo da tarde, pela Ladeira do Piques, pela Trilha de Peabiru ou Caminho de São Sepe, a rota mística paulista.


|| 2016/novembro/28 ||
Anhangabaú ― Até 1900 era um brejo cabuloso, ‘o rio que o diabo lava a cara’, vinte anos depois era o centro elegante da Paulicéia Desvairada.
Ainda hoje é um magnífico conjunto arquitetônico, dos mais bonitos do mundo. Poderia ser um belíssimo parque central.

|| 2016/novembro/24 ||
No dia 4 de fevereiro de 2014 o Centro Cultural do Liceu pegou fogo, queimou estátuas, vidraçarias e movelarias insubstituíveis.
Para sorte de todos os paulistas, apesar das perdas irrecuperáveis, estão construindo um novíssimo Centro Cultural no lugar, reaproveitando o velho portal (veja detalhe).
Sobre o incêndio veja O LICEU ESTÁ EM TODO LUGAR DE S. PAULO


|| 2016/novembro/23 ||
Teatro Municipal, Edifício Sampaio Moreira e cinco gigantes em perpétua prontidão. Fora a secreta cidade antiga – de garoa e bruma – que está sempre à espreita para abduzir S. Paulo.

|| 2016/novembro/22 ||
A obstinada e dolorida resistência das casas.
Esta velha mansão, de 1913, talvez obra de Ramos de Azevedo, no Bixiga (Bela Vista), Rua Artur Prado, 376 ― entre as Ruas Cunha Bueno e Santa Madalena ― escorado por múltiplas bengalas teima em manter-se de pé. Sobreviverá?
Hoje é habitado apenas por uma legião de gatos.


|| 2016/novembro/21 ||
Às vezes, andando pelos Campos Elísios, sempre o próximo passo é de SPanto, e pode ser uma viagem no tempo. Fique pronto para o teletransporte...

|| 2016/novembro/19 ||
Uma musa desterrada medita sobre a glória e decadência da cidade de S. Paulo. Dizem que está de cabeça baixa desde que Plácido Domingo foi visitar o conjunto estatuário em homenagem a Carlos Gomes.


|| 2016/novembro/14 ||
‘Um Amor De Vinil’, musical excelente e fora de rota, ou vice versa (Teatro Raul Cortez – Bela Vista / Fecomercio/SP). Imperdível para quem viveu e ouviu a música brasileira nos anos 70/80.
A surpresa boa é a Françoise Forton (Playboy – Ago/89) cantando, e muito bem.



|| 2016/novembro/04 ||
Quase pronto. O que vai ser lá?
Falam muito dos fantasmas do Castelinho da Rua Apa,
Mas ele também tem um Anjo que é muito mais interessante.
Siga o link >>
http://www.paulistando.com.br/2016/04/anjo-do-castelinho-da-rua-apa.html


|| 2016/novembro/01 ||
Largo São Bento, defronte o mosteiro. 
    "O que levamos desta vida inútil
      Tanto vale se é
      A glória; a fama, o amor, a ciência, a vida,
      Como se fosse apenas
      A memória de um jogo bem jogado
      E uma partida ganha
      A um jogador melhor."
            Ouvi contar que outrora, quando a Pérsia  -  Ricardo Reis / Fernando Pessoa

|| 2016/outubro/24 ||
Os quatro volumes da biografia de 'Júlio Mesquita e Seu Tempo' – o dono do jornal ‘Estadão’ – que explica fartamente como S. Paulo se preparou para Século XX e se tornou a locomotiva do Brasil.
Por Jorge Caldeira, o mais instigante historiador paulista.


|| 2016/outubro/21 ||
Geometrias / Av. Nove de Julho – Viaduto Martinho Prado
S. Paulo é uma cidade que não nasceu pronta, foi construída. Por isso é mais importante prestar atenção nos detalhes do que na paisagem.



|| 2016/setembro/21 ||
Nem todos os grafites são iguais. Outro novo edifício grafitado (Avenida Ipiranga, entre Rio Branco e São João). Com árvore e dois clássicos postes de iluminação de SP, um de verdade outro pintado.
(Obrigado pela dica Tate DeYo)


|| 2016/setembro/15 ||
O Edifício Maria Isabel, esquecido dependurado sobre o Viaduto Major Quedinho, representa um testemunho da transição da Art Decô para o Modernismo.
(Verticalização e Modernidade: São Paulo 1940-1957  |  Tais Lie Okano / UP-Mackenzie)


|| 2016/setembro/12 ||
Interessante painel num edifício recém-inaugurado na Avenida Tiradentes, perto da Estação Luz/Metro. A região esta surfando numa renovação imobiliária. Um lugar cheio de atrações para os audazes.


|| 2016/agosto/26 ||
Fachadas de Volpi, sem bandeirinhas / Rua Jandaia, sobre os Arcos da 23 de Maio, sem as grafitações intrusas.


|| 2016/agosto/08 ||
Cerejeiras do Parque do Carmo.


|| 2016/julho/11 ||
Faixas de pedestres de viraram colunas gregas defronte a Igreja da Consolação.

|| 2016/julho/11 ||
Paulistas na Praça Dom José Gaspar prontos para garoa ou muito sol, chuvas ou trovoadas, políticas e econômicas.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Em Busca do Paraíso Perdido


Por 50 anos, do vigésimo sexto andar do Edifício Louvre, assisti S. Paulo se deteriorar. Quando voltei, em 1964, nos horizontes distantes ainda se podia enxergar muito verde, contudo as novas construções avançavam audaciosas, como chagas urbanas assintomáticas. Agora, das minhas janelas, depois do pequeno bosque da Praça Dom José Gaspar, avista-se um cenário de filme apocalíptico. Desdobra-se uma terra desolada, devassada por horrores, uma proliferação gigantesca de enormes conchas corroídas, que assustam os olhos e a alma.

Nos dias de sol a cúpula da Catedral da Sé ainda brilha resplandecente, feito uma pérola esverdeada perdida no monturo de ostras geométricas. Como um grito de socorro aflito, abafado pelos prédios feios. Não desço mais para as calçadas, temo as superpopuladas ruas Blade Runner.