sábado, 1 de julho de 2017

Clube dos Adoradores de Rene Russo


Um bando de amigos da Granja Viana, adictos de Home Theater, anualmente promove ‘A Noite dos Moinhos’, um excêntrico e monotemático festival de cinema. Começou em 6 de agosto de 2009 – aniversário de 10 anos do lançamento mundial do filme Thomas Crown Affair (Thomas Crown - A Arte do Crime) – e não parou mais.

Desde então, na quinta feira da semana de 6 de agosto, Pio Nero, um engenheiro italiano possuidor de uma cinemateca com treze confortáveis poltronas e som audiófilo convida 12 amigos para assistir seu filme preferido. Um número cabalístico de convidados, lembra 12 Homens e uma Sentença, 12 Homens e um Segredo, ou quem sabe 12 Macacos.

O nome ‘A noite dos Moinhos’ é por causa da canção tema do filme: The Windmills of Your Mind, gol de placa de Michel Legrand. Pio coleciona mais de 20 versões dessa música.

Nos vastos 7 anos da lenda acumulada dos festivais consta que os interessados são muitos, porém os convidados sortudos são poucos. Criteriosamente selecionados pelo núcleo duro do grupo.

Sou amigo parônimo de Pio Nero, nossos universos se tangenciam apenas em dois pontos: Informática e Cinema. Mesmo assim estou na lista de candidatos, e – não sei porque – já fui convocado duas vezes, porém não em anos consecutivos.

O programa da noite é simples e extenso, lembra uma sessão dupla dos velhos cinemas de bairros. Sempre se inicia com a exibição completa de Thomas Crown Affair, depois vem um longo intervalo para comentários, discussões e babação de ovo pela obra prima. Enquanto isso, na tela, com a canção tema de fundo, em repeat mode, para adoração e catarse, rola um slide show de fotos de Rene Russo.

A festa termina, para os que tiverem resistência, com a projeção de outra performance da diva, grande dama, rainha do evento e arrebatadora paixão de Pio. Não tenho certeza absoluta, mas acho que é proibido pronunciar o nome de Pierce Brosnan nas conversas.

Temo, contudo, que não serei novamente escalado para ‘A Noite dos Moinhos’, porque, na última participação, declarei que preferia a versão original de 1968 – Crown, o Magnífico – com Steve McQuinn e Faye Dunaway (a psicóloga da refilmagem), mais erótica e excitante. Desarrazoado e temerário defendi também que a vagarosa, excruciante e excepcional sensualidade da sequência do jogo de xadrez na versão clássica jamais foi superada.

Por tudo isso, tenho certeza, fui carimbado como ‘sinnerman’ (na voz de Nina Simone) pelo promotor do festival.

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