sábado, 14 de abril de 2018

Fotos, Notas e Comentários

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Hitchcock / MIS – 18 / julho / 2018
Hitchcock fica melhor a cada reprise. Talvez apenas dois artistas dominaram tanto e exploraram tão completamente seus respectivos campos de atuação, e deixaram uma obra (igualmente diversificada e vasta) que a partir dela se pode avaliar todas os aspectos e avanços das Artes que elegeram e tudo que os precederam: Back na Música e Hitchcock no Cinema.

Lucerna / Suíça – 1 / junho / 2016
Fui visitar Wagner em sua bela mansão, num promontório que avança intrépido pelo Lago Lucerna, O compositor estava omnipresente, multiplicado em bustos e estátuas.
Aproveitei para fazer a pergunta urgente e incômoda:
"Como conseguiu ser tão genial e tão canalha?"
O mestre respondeu:
"A genialidade e a canalhice são atributos humanos, e eu tenho excesso de humanidade. Assim explorei todas minhas boas e más potencialidades até o limite."
Fiquei pensando embaraçado em dúvidas. Ele, talvez com pena das minhas carências, acrescentou:

"Mas não se esqueça, quando eu fui apenas humano, escrevi o 'Idílio de Siegfried' e o dediquei à Cósima (que roubei de von Bülov) numa manha de natal, naquela escada que breve você subirá."


Montreux / Villeneuve / Suíça – 23 / maio / 2016
Quando findou a chuva primaveril, na beira do Lago Genebra, em Villeneuve, depois de Montreux, encontrei Oskar Kokoschka, o pintor noivo da ‘Noiva do Vento’.
Uma figura patética que vendeu tudo que tinha para comprar farda, espada e cavalo. Foi para a guerra, voltou ferido, perdeu a amante Alma (viúva de Mahler) e a razão crítica e prática, só lhe restou a faculdade de juízo estético.
Curou a dor de cotovelo dormindo com uma boneca cópia exata da amada.
Estava bidimensional e olhava fixamente para o lago.
Perguntei:
‘– Como é a vida assim, plana e dividida?'
Respondeu dúbio e desacostumado da fala:
‘– É boa, a gente vê os dois lados com clareza, esquerda, direita, sem zona cinza. Têm momentos na História que isso é imprescindível.'
Concordei. Calados, juntos, olhamos longamente a espelhada superfície do lago saciado de chuva. Cansado do silêncio me despedi e fui embora. Oskar ficou secando, atento ao vento do tempo.

Vevey / Lausane / Suíça – 23 / maio / 2016
O garfo no mar alude à sede mundial da Nestlé na cidade de Vevey, à beira de Lago Genebra.
O céu feroz induz meditações nebuladas. Machado de Assis disse “morre-se muito bem às seis ou sete horas da tarde”, quase o horário da foto.
Repensando, morre-se otimamente bem na Suíça, em torno do Lago Genebra. Os cemitérios estão repletos de defuntos estrangeiros e desgarrados, ilustres e notáveis. Jorge Luiz Borges, Charles Chaplin, Grahan Grenne, James Mason, Oscar Kokoschka…

Visto e fotografado – 8 / Out /16
Paul Cézanne (1839-1906) Retrato do Artista  /  1875
Museu d’Orsay Paris


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