sábado, 14 de abril de 2018

Fotos, Notas e Comentários

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Borges - Genebra / Suíça – 24 / maio / 2016
Numa tarde de terça-feira de maio de 2016 fui visitar Borges em Genebra. Apesar de imortal, agora, passa todo o tempo neste jardim – perto de Jean Calvin, que frequenta o lugar faz muito mais tempo. Ouviu meus passos se aproximando e levantou a cabeça, estava com os olhos fechados, mais isso não mudava nada. Perguntei:
“- Jorge como é possível entender a América do Sul?”
“- Passei muito tempo lá, porém não aprendi, somos todos exilados com saudades da Europa, África, Oriente...”
“- Veja na Literatura de vocês, ‘A canção do Exílio’ é um dos maiores poemas”
“Então não existe chave para entendê-la?”
“-Talvez a resposta esteja no mapa do subcontinente. Parece um redemoinho fascinado pela Europa, mas com um frágil fio de comando ligado nos Estados Unidos.”


CCBB-SP / Exposição Paul Klee – 20/março/2019
Uma das melhores tardes que tenho na memória passei no ‘Zentrum Paul Klee’, nos arredores de Berna. Três pavilhões ondulados que se mimetizam com as colinas em torno para melhor se encaixar na paisagem. A família do pintor guarda lá algumas centenas de milhares de obras do artista. Tesouros belíssimos, frágeis e delicados como corais e bolhas de sabão.
Passeando nesta longa alameda arenosa curtimos o perfil da cidade da Relatividade de Einstein e o tempo se alonga e quase para, o dia pode durar semanas.
Na Exposição de Paul Klee no CCBB-S.Paulo, parei defronte uma fotografia tamanho natural do velho mestre, tomado pela esclerodermia, e comentei.
- Paul, achei triste a ‘Fênix Idosa’ (detalhe), porque desenhou?
- Ela é mais completa, plena e feliz do que nós dois, de repente se auto incinera, renasce jovem e vive mais 300 anos. Não fica com inveja?


As Novas Proporções do Homem
Enfim superamos o homem vitruviano de Leonardo Da Vinci?





Hitchcock / MIS – 18 / julho / 2018
Hitchcock fica melhor a cada reprise. Talvez apenas dois artistas dominaram tanto e exploraram tão completamente seus respectivos campos de atuação, e deixaram uma obra (igualmente diversificada e vasta) que a partir dela se pode avaliar todas os aspectos e avanços das Artes que elegeram e tudo que os precederam: Back na Música e Hitchcock no Cinema.

Lucerna / Suíça – 1 / junho / 2016
Fui visitar Wagner em sua bela mansão, num promontório que avança intrépido pelo Lago Lucerna, O compositor estava omnipresente, multiplicado em bustos e estátuas.
Aproveitei para fazer a pergunta urgente e incômoda:
"Como conseguiu ser tão genial e tão canalha?"
O mestre respondeu:
"A genialidade e a canalhice são atributos humanos, e eu tenho excesso de humanidade. Assim explorei todas minhas boas e más potencialidades até o limite."
Fiquei pensando embaraçado em dúvidas. Ele, talvez com pena das minhas carências, acrescentou:

"Mas não se esqueça, quando eu fui apenas humano, escrevi o 'Idílio de Siegfried' e o dediquei à Cósima (que roubei de von Bülov) numa manha de natal, naquela escada que breve você subirá."


Montreux / Villeneuve / Suíça – 23 / maio / 2016
Quando findou a chuva primaveril, na beira do Lago Genebra, em Villeneuve, depois de Montreux, encontrei Oskar Kokoschka, o pintor noivo da ‘Noiva do Vento’.
Uma figura patética que vendeu tudo que tinha para comprar farda, espada e cavalo. Foi para a guerra, voltou ferido, perdeu a amante Alma (viúva de Mahler) e a razão crítica e prática, só lhe restou a faculdade de juízo estético.
Curou a dor de cotovelo dormindo com uma boneca cópia exata da amada.
Estava bidimensional e olhava fixamente para o lago.
Perguntei:
‘– Como é a vida assim, plana e dividida?'
Respondeu dúbio e desacostumado da fala:
‘– É boa, a gente vê os dois lados com clareza, esquerda, direita, sem zona cinza. Têm momentos na História que isso é imprescindível.'
Concordei. Calados, juntos, olhamos longamente a espelhada superfície do lago saciado de chuva. Cansado do silêncio me despedi e fui embora. Oskar ficou secando, atento ao vento do tempo.

Vevey / Lausane / Suíça – 23 / maio / 2016
O garfo no mar alude à sede mundial da Nestlé na cidade de Vevey, à beira de Lago Genebra.
O céu feroz induz meditações nebuladas. Machado de Assis disse “morre-se muito bem às seis ou sete horas da tarde”, quase o horário da foto.
Repensando, morre-se otimamente bem na Suíça, em torno do Lago Genebra. Os cemitérios estão repletos de defuntos estrangeiros e desgarrados, ilustres e notáveis. Jorge Luiz Borges, Charles Chaplin, Grahan Grenne, James Mason, Oscar Kokoschka…

Visto e fotografado – 8 / Out /16
Paul Cézanne (1839-1906) Retrato do Artista  /  1875
Museu d’Orsay Paris


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