quinta-feira, 21 de maio de 2020

Florença – 29/ago/2018 – Michelangelo

Florença – 29 / ago / 2018

Entrei no ‘Museo Galleria dell'Accademia di Firenze’ com destino certo: conversar com o David original, aquele tocado por Michelangelo.
Encontrei um garoto enorme, cinco metros de altura, vestindo apenas sua própria pele. Olhava o futuro com serenidade, curiosidade, confiança e, sobretudo, sem pressa. Nenhuma perplexidade alterava sua face.
“– Tenho um par de perguntas, posso?”
Ele balançou a cabeça, vagarosamente.
“– Nunca temeu o gigante Golias?”
“– Não. O próximo passo é inexorável, não depende mais de nós, é resultado do percurso que traçamos. Olhar para trás é retroceder, procurar erros impossíveis de serem corrigidos.”
A outra pergunta. “– Por que você fala e suas cópias não. E só falo com ‘davids’ do seu tamanho. São mudos?”
“– Durante o processo da talha, eu, meu criador e o pastorzinho antigo nos emaranhamos quanticamente. Hoje a pedra, o artista e o pastor hebreu são a mesma coisa, viramos uma singularidade cultural, um episódio mental, um evento da inteligência. Somos todos emanações do universo comum que compartilhamos.”
Silêncio.
“– As cópias são apenas replicações ocas das infinitas carências humanas.”

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