quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

2018/ago/30 – Cortona/Toscana – Medidas de Da Vinci

2018/ago/30 – Cortona / Toscana


Durante um tour vagabundo – 10 dias rodando pela Toscana - visitei Cortona. A cidade já habitava minha memória afetiva desde que assisti ‘Sob o Céu de Toscana’, o filme acontece lá. No canto de uma praça havia um monumento enganador se gabando das medidas perfeitas propostas pelo gênio florentino, resolvi desafiar as proporções.

Depois soube que é perigoso comparar medidas com o padrão de Leonardo Da Vinci, a resposta jamais é a desejada, nunca estamos (talvez ninguém esteja) a altura do homem vitruviano. Podemos passar a vida inteira persistindo, mas sempre sobra ou falta alguma coisa.

Considerando o cotejo, sobre a sobra ou a falta, é mais conveniente faltar, fica o espaço e a esperança de crescer, melhorar... Quando sobra estamos irremediavelmente ferrados, para qualquer ser vivente é muito mais difícil e doloroso, desapegar, jogar fora do que acumular.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Pacaembu/S.Paulo – 11/fev/2021 – Meditações de Chronos

Pacaembu/S.Paulo – 11/fev/2021

Na subida da Rua Major Natanael, num nicho no muro do Cemitério do Araçá, entre o Estádio do Pacaembu e o Hospital das Clínicas, Cronos (talvez de Brecheret), envolto em tédio e deslembranças, observa o banbo tropeçar do tempo e a ebulição do trânsito. Às vezes confunde e embaralha as duas coisas, porque ambas parecem zumbidos de moscas lentas.
Sua única distração é regurgitar os cinco filhos e girar a ampulheta.
A cada três anos conversa com a coruja que sempre crocita a mesma resposta.
 Não se iluda. / Nada Muda.
A coruja, impaciente e exibida, quando escurece estica as asas e voa, vai se vangloriar com os corvos, se gabando que sua frase única é melhor do que monótona repetição do corvo de Poe: ‘Never more'.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Efeso/Turquia – 12/set/2009 – Seguindo as Pegadas

 Efeso/Turquia – 12/set/2009

Em Ephesus, a segunda maior cidade ocidental da antiguidade, atualmente território da Turquia, é possível caminhar por ruas de 2.500 anos, seguindo pegadas de bárbaros, gregos e cristãos. Corre por lá também – e às vezes para - o rio do Tempo de Heráclito, onde ninguém se banha duas vezes nas mesmas águas.

Nas suas ruinas estão preservados restaurantes, casas, lojas e até latrinas públicas.

Meditando na esquina da Biblioteca Celsus Polemaeanus é fácil concluir que apesar de séculos de progressos e avanços técnicos – a fina película de civilidade - não mudamos muito, poderíamos voltar a utilizar todas aquelas facilidades caso fosse preciso.

Caminhando pelas ruas, travessas e becos, muita vez, encontramos pés descalços esculpidos nas pedras do calçamento (detalhe amarelo). Informam que a marca  apontava a direção das casas onde as moças belas e complacentes trabalhavam, muitas vezes servindo Afrodite.

No fundo do homem o Tempo não muda nada, só engrossa o casca do verniz.