sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Pacaembu/S.Paulo – 11/fev/2021 – Meditações de Chronos

Pacaembu/S.Paulo – 11/fev/2021

Na subida da Rua Major Natanael, num nicho no muro do Cemitério do Araçá, entre o Estádio do Pacaembu e o Hospital das Clínicas, Cronos (talvez de Brecheret), envolto em tédio e deslembranças, observa o banbo tropeçar do tempo e a ebulição do trânsito. Às vezes confunde e embaralha as duas coisas, porque ambas parecem zumbidos de moscas lentas.
Sua única distração é regurgitar os cinco filhos e girar a ampulheta.
A cada três anos conversa com a coruja que sempre crocita a mesma resposta.
 Não se iluda. / Nada Muda.
A coruja, impaciente e exibida, quando escurece estica as asas e voa, vai se vangloriar com os corvos, se gabando que sua frase única é melhor do que monótona repetição do corvo de Poe: ‘Never more'.

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