sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Rachael tinha olhos verdes?


Aposto que todos os fãs de cinema com data de ativação antiga, sempre que  olham para a deslumbrante Rachael lembram com saudades da imensa galeria de mulheres fatais dos filmes noir.

Quando Eldon Tyrell manipulou os genes e Ridlley Scott editou as cenas para criarem juntos a melhor das femmes fatales cyberpunks, dispunham de farto material de referência. Porque nesta fértil e subterrânea vertente do Cinena as damas misteriosas imperavam, eram ícones imprescindíveis a serem amadas, celebradas, decifradas e conquistadas. É impossível imaginar um bom filme noir sem uma figura feminina dominante, como vítima, suspeita, manipuladora, criminosa, donzela em perigo ou dama salvadora. Nos casos de maior sucesso ocupavam vários desses papeis ao mesmo tempo. 

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Suspenso no tempo - Atelier de Angelo Taccari


No fim de setembro/2017 visitei o atelier de Angelo Taccari, importante escultor e ceramista italiano que adotou e foi adotado por São Paulo. Um prédio antigo e discreto, entre as árvores, na beira da represa Itupararanga em Ibiúna. Mantido por sua filha  Maria exatamente como ele o deixou quando mudou para outra dimensão em 2004.

Havia uma estranheza atemporal suspensa, dessas de filme de ficção científica e fantasia. Uma singularidade intrigante magicava as obras interrompidas em vários estágios de completude e espalhadas pelos cômodos do atelier. Apesar da poeira – a passagem do tempo materializada – não seria espantoso ver o artista, de repente, entrar pela porta e retomar seu trabalho e paixão.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Ouvindo a Berliner Philharmonie < a Sala >


Em setembro/2017 tive oportunidade de ouvir a Berliner Philharmonie.

A Sala, porque a Berliner Philharmoniker < orquestra > venho ouvindo com prazer e admiração faz muitas décadas, através de gravações.

No programa – conduzido pelo Maestro Marek Janowsky – constavam duas peças: novidade e garantia. A aposta era ‘Três Prelúdios da Ópera Palestrina’, de Hans Pfizner. Um excelente compositor lírico que, pelos azares da sorte, foi contemporâneo de Richard Strauss e por ele eclipsado. Apesar de vários especialistas listarem esta ópera entre as melhores do século XX. A Quarta Sinfonia de Bruckner era o sucesso garantido.

Foto 1
Estava bastante curioso, a Grande Sala, para 2440 pessoas, tem uma concepção arquitetônica inovadora. São três pentagramas de tamanhos progressivamente maiores que se sobrepõem de maneira irregular, possibilitando a criação de várias plateias e terraços-camarotes em torno do palco. A orquestra ocupa o meio excêntrico desse surpreendente arranjo. Tão inusitado e bonito que a Berliner Philharmoniker Foundation – que cuida da orquestra e da sala – adotou o desenho resultante como seu logotipo. (Foto 1)