terça-feira, 9 de dezembro de 2014

MUITO ANTES DO EDIFÍCIO COPAN


A foto panorâmica foi tirada da torre da Igreja da Consolação, no início dos anos 50, quando o triângulo formado pelas Avenidas Ipiranga, Consolação e São Luís se tornou objeto de desejo de todas as construtoras.

Já estavam prontos os grandes edifícios do lado impar da São Luís, a Biblioteca Mário de Andrade e o Novo Hotel Jaraguá (antigo Estadão). Contudo, o cobiçado graal do triângulo permanecia praticamente vazio. Ainda estava intacta a saudosa e deliciosa Vila Normandia, obra do arquiteto Júlio de Abreu Junior nos terrenos do Conde Sílvio Álvares Penteado.

Os planos e projetos para ocupação do paraíso imobiliário estavam no fogo ardente das negociações. O Itália, o Copan e os edifícios residenciais do lado par da São Luís logo brotariam para verticalizar e transfigurar o triângulo.

Curioso, entretanto, é que uma pequena e interessante construção, com exíguos térreo e seis andares, já se emperiquitava  premonitória no vasto terreno desocupado. Não se declarava nem edifício nem prédio, apenas ‘CRUZEIRO’, no número 355 da Rua Araújo.

O predinho existe e resiste até os dias de hoje, engolido e despercebido entre as imensas construções que o cercaram. Se não fosse a antiga fotografia panorâmica nunca teria prestado atenção nesta testemunha do passado, que viu tudo acontecer.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

CONSOLAÇÃO - CAPELA DO SANTÍSSIMO - 6 QUADROS DE BENEDITO CALIXTO


Dentro da Igreja Nossa Senhora da Consolação – na Praça Roosevelt – do lado direito do altar, fica a Capela do Santíssimo Sacramento. A porta, sempre aberta, está debaixo do quadro 'Santa Ceia' de Oscar Pereira da Silva.

É pequena, 50 metros2 , tamanho de uma sala média, com o vitral voltado para um bosque. No fim da tarde, a capela, apesar de miúda, quando recebe o sol noroeste de revés, vira uma ‘catedral de silêncios eleitos’. Os vidros rutilam e as cores dos quadros acordam e se acendem esfuziantes; as horas se enroscam encantadas e passam devagar pelo relógio.

Duas coisas espantam e fascinam na capelinha. Primeiro, acolhe os suplicantes mais calados e angustiados, os muito necessitados. Os fiéis fervorosos, que entram correndo para se refugiar lá, no coração da Igreja. Segundo, está luxuosamente enfeitada por todos os seis magníficos painéis de Benedito Calixto que a igreja possui. O cara é um dos quatro grandes pintores paulistas pré-modernistas. De todos, o que melhor explorou as motivações sacras.

As seis telas são de 1918, do apogeu artístico de Benedito Calixto, quando ainda não era o padroeiro da feirinha de sábado na praça com seu nome. Tanto que, em 1919, Monteiro Lobato  fã do Benedito, que não gostava das mistificações de Anita Malfatti  afirmou que era o mestre paulista que mais vendia. Devia ser verdade, porque várias cidades do interior paulista, importantes no ciclo do café, como Santos, Brotas, Bocaina, São Carlos e diversas outras, se orgulham de ter obras e afrescos pintados por ele nos suas igrejas e fazendas. Algumas delas criaram museus dedicados ao artista.  

Benedito Calixto, como todo pintor que alcançou sucesso, reproduzia fartamente seus temas preferidos e mais bem aceitos, quase sem alterações. Em consequência, um par de quadros da Consolação, ‘A Caminho de Emaús’ e ‘A Ceia de Emaús’, têm diversas versões espalhadas pelo estado, Os outros quatro retratam santos mais exclusivos: São Tarcísio, São Tomás, Santa Clara e Santo Antonio de Pádua.

Muitos sites falam de um São Boaventura, contudo, parece que estão equivocados, o santo não está na capela, nem consta nas documentações acadêmicas das obras do autor.

A Igreja da Consolação  e especialmente a Capela do Santíssimo  é um excelente lugar para PAULISTAR, fácil de visitar e propício para meditar. Ótimo para recosturar a alma no corpo, têm belas obras de arte e fica perto da Estação República do Metro.

Depois, na volta, dá para passar no Café Floresta no Copan, um dos três melhores de S. Paulo.

AS SEIS PINTURAS