quinta-feira, 26 de novembro de 2020

No Tempo de Walter Hugo Khuori



Para muitas pessoas (+ eu), pelo conjunto da obra, Walter Hugo Khuori foi o maior Diretor de Cinema brasileiro, nosso Antonioni - Bergman – Chabrol... Foram 24 filmes, acho que poucas cidades ganharam tantas confissões de afeto de um mesmo cineasta.

Na maioria deles Sampa é o verdadeiro personagem principal, mesmo escondido e escamoteado. Em ‘EROS, O DEUS DO AMOR’, por exemplo, os três primeiros minutos são uma devotada declaração de amor e carinho pela nossa cidade, tão diversa e cheia de alternâncias, carregada de arroubos e arestas. Um poema construído com carinho e paixão, imagem amorosas e voz em off.

A carreira de WHK foi longa, 45 anos, de 1954 a 1999, em média um filme a cada dois anos. Durante o percurso vemos S. Paulo mudar, debutar, se transformar até se estilhaçar, talvez pelo tamanho exagerado.

Acompanhando os registros da cidade deixados pelo Diretor, um viés sempre me espanta, confunde, estranha e deixa confuso: a ausência de árvores nas nossas praças e ruas, durante as décadas de 50, 60, 70. As contraposições das fotos acima documentam esta anormalidade.

Em 1975 WHKhouri lançou ‘O DESEJO’, sua 14ª película, quase tudo acontece numa cobertura no Centro Novo, nela existem várias tomadas que mostram as praças e ruas próximas. Recentemente tive oportunidade de visitar e fotografar o local das filmagens. As imagens atuais repetindo os mesmos enquadramentos do filme demonstram que as ruas e praças de S. Paulo, apesar de tudo, estão muito mais arborizadas.E muito pouco para combater a inexorável invasão do concreto, gostaria que fosse um aceno de esperança.

Mas talvez seja um pedido de socorro?

domingo, 22 de novembro de 2020

Zakynthos / Grécia – 17/set/2019 – Praia do Naufrágio

Zakynthos / Grécia – 17/set/2019


A Grécia é azul, como enfatiza sua bandeira. Azul e branco - céu azul e casinhas caiadas. Desde Corfu, que namora a Itália, até Samos, nos confins do Mar de Ícaro.

Entretanto, nas minhas lembranças, ela é mais azul na Praia do Naufrágio, na Ilha de Zakintos. Lugar magicado onde um barco cansado de enfrentar as ondas, à revelia dos homens, discretamente adernou e se refestelou para medir a eternidade.