sexta-feira, 17 de março de 2017

LABIRINTOS ― 8 Rotas de Fuga



Faz mais de dez anos que venho escrevendo poemas sobre as perplexidades do homem diante das complexidades das Ciências e das Artes Modernas. 

O livro se originou com os 8 epígonos, depois, em torno de cada uma deles – pelo mistério da Gravidade – se condensaram os poemas-planetas, criados para orbitar, contraditar e desafiar seus sóis.

Atravessar o Século XX não foi tarefa fácil. Tudo mudou muito e rapidamente. Olhá-lo em perspectiva revela uma pirotecnia em câmara acelerada. Deliciosa de ver, difícil de entender. Ainda não tivemos tempo de compreender e organizar todas as novidades oferecidas, nem avaliar os desafios propostos para o futuro.

A ‘Maquina do Mundo’ de Drummond, quando se manifesta, mostra somente relances da ciência sublime e formidável, mas hermética’. Por alguns momentos o enigma fica claro, acreditamos que tudo foi desvelado. Contudo, quando a máquina desvanece, ficamos de novo perdidos nas crepusculares estradas amarelas de Minas, maravilhados, porém, com as dúvidas-corvos aumentadas.


Para ouVer o livro inteiro >>> 
 Youtube - Versão sonora

2 comentários:

  1. HOLBEIN MENEZES - Comentário recebido pelo ‘inbox’ do Facebook.
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    Recebi esta semana, Meu Querido, e já terminei de ler. Só que encontrei muita dificuldade em entrar nesse seu "labirinto" cujos enigmas e signos gregos desconheço, e não mais tenho vez de aprendê-los pois meu tempo de aprendizagem é morto, tal a Inês; de mais a mais, como você sabe, minha preocupação agora tem sido "desaprender" as porcarias que me enfiaram goela abaixo.
    Apreciei a forma mas não entendi o conteúdo do magistral prefácio da Vilma Silva; ela, sim, (afigura-se-me) foi longe e profundo (relativo aos poemas). Babei de inveja.
    Sua de você poética é que é infernal, um Augusto dos Anjos moderno cuja dodecafonia em oitava mantém relações tonais; e aí é que está o "barato". Uma quase "cantoria" de sete pés: "Somos sempre um dos sete / sorteados para a missão / fazer guerra ao Minotauro / juntar instinto e razão." ou "Do ventre pró Labirinto / duramos pouco na infância / maturidade é ofício / que não se aprende criança." Ritmo (tempo) semelhante ao das emboladas nordestina; daí terem certa razão de se dizer que São Paulo é maior cidade nordestina do Brasil; pois até paulistano vira pau-de-arara quando resolve poetar; e não só no tempo poético, também no respirar dos versos e no andar do carro-de-boi: constante e cantante, cantante e constante até o sem-fim da desesperança; como se a olhar para o céu azul sem nuvens e dizer, cofiando a barbicha: "É, cumpadre, do jeito que vai, não vai." Mestre Mané Candeia, o filósofo das Fazendas Reunidas do Figueiredo", onde nasci, filosofaria sobre seus poemas: "A coisa mió do mundo... quer dizer, muié primeiro."
    Já o irritadiço Primo Camillo, metido a sabichão, com seu vozeirão de barítono ancião proclamaria: "Esse seu amigo, Holbein, é mais prolixo do que a prolixidade, inobistante fazer uso do "martelo agalopado de sete pés em quadrão, às vezes seis, às vezes dez, neste caso, gabinete, que é nada mais nada menos do que nossa embolada... (Se eu não cortar aqui Primo Camillo, ele esgota o espaço.) Mas primo Camillo "captou" o clima de seus poemas porquanto há ritmos (tempo) neles, afora alguns como o "Turing do 8º Epígono"; mas habita no "Ofício do Homem", Fuga 1 da Pedagogia das Fugas: "Do ventre pr'o Labirinto / duramos pouco na infância / maturidade é ofício / que não se aprende criança.", este prenhe da sabedoria sertaneja; parece que estou a ouvir meu calmo e doce vovô Chico Joaquim; quantas saudades!
    Obrigado, Amigo pelo gentil oferecimento; na verdade "no enfim" são nossos "caminhos parecidos". Fraternal abraço do mano-mais-velho, Holbein.

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  2. HOLBEIN MENEZES, eu é que apreciei o traçado musical que você muito bem destaca na obra de Douglas Bock. Os sete pés que você menciona e aponta nos versos citados é um comentário precioso. Muito me agradou sua percepção: dos poemas se desprende mesmo uma sinfonia do universo. Também apreciei muito: “minha preocupação agora tem sido "desaprender" as porcarias que me enfiaram goela abaixo”. Esse é um exercício constante e precisa de uma técnica de limpeza eficaz, além de muita paciência. Tem conseguido?

    Sobre suas ponderações: conhecer os enigmas e signos gregos pode alargar a percepção da obra, mas não impede de fruí-la. Foi difícil entrar na obra, você diz. Na verdade, você entrou. Essa dificuldade é um efeito natural que o labirinto produz. Afinal, o trunfo da obra é se fazer labiríntica. Esse edifício constituído de muitas vias produz atordoamento. Quem nele entra não consegue situar-se em uma única perspectiva para abranger o todo e, por isso, não acha a saída. É um universo desesperante: qualquer via desdobra-se em outra via e nunca termina. Seus corredores fogem, embaralham o andar e sair da sua confusão torna-se impossível. Como não se perder nessa teia alucinada do mundo de que o labirinto talvez seja a figura mais expressiva já criada pelo pensamento humano? A nossa percepção se embaralha em busca da verdade última do universo. Nunca a alcançamos e vivemos mesmo dentro dos labirintos que o pensamento cria. É uma tentativa alucinada de chegar ao eixo que constitui o universo. O ser humano tem necessidade de desvendar o fundo de onde emergiu o universo e ele próprio. Nossa maior angústia é não saber o que somos. Por isso, o ato criador do pensamento não cessa nesses limites e se desdobra em outros pensamentos infindavelmente. Douglas teve uma percepção apurada ao criar seu poema em forma de labirinto. É um poema que não tem fim.

    Gostaria de repassar o que disse o astrofísico Hubert Reeves. Me parece que esse cientista chama de “bosques” o que aqui chamamos de labirinto. Além disso, Pode ajudá-lo na limpeza das “porcarias”:

    “O conhecimento científico geralmente toma a forma de uma coleção de ‘por quês’ aninhados. Veja o exemplo clássico da queda da maçã. ‘Maçãs caem das macieiras por que a Terra as atrai’ diz Isaac Newton. ‘A Terra atrai as maçãs por que nosso planeta massivo modifica a geometria do espaço em torno de si’ continua Albert Einstein. Não sabemos por que um corpo massivo modifica a geometria. Há muito trabalho sendo feito hoje para tentar formular uma teoria unificada das forças físicas. Podemos esperar que esta teoria, ainda para ser criada, será um por que para esta última questão que, necessariamente, estará em termos de outra ‘alguma coisa’.”

    E, finaliza, “por enquanto, estamos perdidos nos bosques das incoerências internas”.

    O artigo, se te interessar, está em:
    https://web.archive.org/web/20100908025143/http://cesarakg.wikispaces.com/Os+Primeiros+Momentos+do+nosso+Universo

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