quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

'7 series de 7' – Livro Aplicativo

 

Meus dois últimos Livros de Poesia foram publicados como aplicativos na Internet.

E possível lê-los, em qualquer lugar, a partir de endereços eletrônicos. Estou lançando o terceiro livro ‘7 series de 7’ –  49 poemas 7 poemas - 7 temas. 

É pratico, fica permanentemente disponível na rede mundial, acessível a qualquer leitor interessado, no mundo inteiro. Em termos de edição é ótimo, pode-se usar cores, efeitos gráficos e fazer correções e revisões, sempre que quiser ou for necessário.

Os livro ‘64 Dilemas’ (http://paulistando.com.br/64Dilemas) e ‘56 Lances de Dados' (http://paulistando.com.br/56LancesDeDados) já estão disponíveis na rede faz mais de 2 anos.

O terceiro livro ‘7 Series de 7’ é uma compilação de poemas vinha publicando avulsos na na rede. Agora esta disponível como um ‘Aplicalivro’.

Quem quiser lê-lo, e conhecer esta experiência, e só buscas ‘paulistando.com.br/7series7’ nos mecanismos de pesquisa na Internet, feito o Google por exemplo.


quinta-feira, 17 de novembro de 2022

Poe-Re-imaginado

Conte, reconte seu conto...

 Estou participando de um projeto muito interessante, serei ‘co-organizador’ de uma antologia chamada ‘POE –RE-IMAGINADO’ que selecionará releituras de contos de Edgar Allan Poe. A regra e que todos os escolhidos – de diversas formas - devem ser, necessariamente, revisitações das histórias de EAP.

 

E Poe é imenso, inesgotável. Além de redirecionar o Terror/Horror Moderno, e influenciar toda a Literatura Popular do mundo, criou as Histórias de Detetives e Mistério que é um gênero até hoje eletrificado.

 

Veja edital abaixo:

 

Em 2020, a Diário Macabro lançou um de seus maiores sucessos: a antologia Lovecraft: Re-imaginado, que reúne contos diretamente inspirados na obra do autor norte-americano. A premissa do livro era clara: os contos deveriam ser releituras, continuações ou versões alternativas de cada um dos contos originais. O resultado foi um sucesso e logo veio a ideia: por que não estender a ideia para outros autores? E foi assim que surgiu Poe: Re-imaginado, a próxima antologia temática da DM!

A organização ficará por conta de Douglas Bock, escritor com diversos contos e livros publicados pela DM (e quem deu a ideia do livro!), e Oscar Nestarez, escritor, doutor em Letras e especialista em Edgar Allan Poe. Ou seja, um time de peso!


Confira todas as regras para participar da seleção. É imprescindível que sejam seguidas à risca.

 

https://www.diariomacabro.com.br/post/edital-poe-re-imaginado


sexta-feira, 2 de setembro de 2022

2022/set/01 - Florestas Villa-lobos

 

Sou frequentador da Sala São Paulo desde sua inauguração, assinante da Osesp faz muito tempo, e o que vi ontem (1/9/22) foi uma das melhores coisas que já assisti naquele auditório.

Teve uma oitava de Mahler, com o empoderamento de um coro espanhol, uma apresentação de Juliane Banse, algumas sinfonias de Shosta que me levaram aos céus.

Mas ontem, a ‘Floresta de Villa-Lobos’ entrou na lista dos melhores espetáculos. Eram uma combinação de grandes temas brasileiros executados diante de uma projeções de maravilhas e estranhezas das selvas amazônicas. Sublime, espetacular, estimulante...

Gostei, sobretudo, da tessitura das melodias usadas na série, escolhas de encaixes perfeitos.


quinta-feira, 18 de agosto de 2022

2022/ago/14 - Cobra Trocando de Pele

1.200 CDs - sete caixas grandes - o tempo passou e o mundo mudou. Doados para uma Loja de CDs e DVDs.

Dizem que as cobras e serpentes, em algumas estações da vida, ficam incomodadas, agoniadas, não cabem mais dentro da pele. Detestam o antigo desenho do rajado, já desbotado, não suportam mais a cor branca da barriga, ficam inquietas, querem mudar.

Era assim que me sentia diante daquelas 5 prateleiras, mais um anexo, entulhadas de CDs, TODOS DEVIDAMENTE COPIADOS PARA ARQUIVOS, fáceis de achar para ouvir, na ponta dos dedos.

Tchau e muito obrigado pelas muitas tardes, noites e manhãs que me alegraram e embalaram minhas divagações, mas é hora do adeus.

quinta-feira, 11 de agosto de 2022

Mioko – a Mosaicista

 
Minha amiga Mioko [MIK] é uma artista discreta, quase secreta, porém permanentemente inquieta. Entre suas peculiaridades, a mais intrigante, é a arte que elegeu para se expressar: Mosaico. Segundo o grego antigo ‘trabalho das Musas’.

Uma ocupação que exige paciência e pertinácia. Revelar o mundo justapondo miúdos pedaços, refazer a realidade rejuntando cacos. Velhíssima e poderosa linguagem, tarefa que acompanhou a humanidade na sua longa caminhada, desde o início da História, vem da Mesopotâmia, berço da civilização ocidental.

Uma arte de grandes discursos mas de gramática simples, regra binária: formato e cor. Basta isso, mais o incomensurável desejo de recriar o mundo, contar uma história que mora dentro da alma. E na alma tudo cabe.

Mioko depois que se aposentou decidiu revisar e reinventar sua vida, tinha imensa disposição, desejo de sobra e um sonho extravagante. Sem prática nem experiência, seu motor era impulso e ímpeto. Obedecia a agulha de uma bússola transcendental: queria contar sua epopeia pessoal em mosaicos.

Um dos pedreiros de suas várias reformas tinha contatos numa fábrica de cerâmica e azulejos, intermediou com o dono a retirada de um pouco dos rejeitos e cacos. Mioko contratou um caminhão-caçamba e ergueu uma montanha de sobras no seu quintal.

O sonho impossível tinha acontecido, só que ainda estava meio misturado. Daí para frente só precisava de tempo, disposição e paciência. Mas isso tinha estocado a vida toda.

A artista distendeu as translucidas asas da fantasia e começou a longa jornada. Separou cores, cortou e recortou cada uma das ‘tesselas’, ajustou vários milhares de fragmentos quebrados e, com cor, amor, forma e carinho, registrou a transfigurada saga de sua família, magicada e iluminada pela imaginação.

Hoje, todos os muros de seu imenso quintal – pelo lado de dentro - estão cobertos de painéis ilustrados. Quem for convidado e souber ler as coloridas letras de Mioko vai poder viajar pelos extraordinários caminhos que sua família percorreu.




terça-feira, 21 de junho de 2022

2022/mai/01 – Baden Baden - Furtwängler

 

Encontrei Wilhelm Furtwängler no meio de uma praça em Baden Baden/Alemanha. Calvo, brônzeo, enfarruscado, atrás de várias camadas superpostas de memórias, glórias passadas e, sobretudo, escavado pelo esquecimento. Entristecido olhava para o Teatro de Ópera.

Não me surpreendeu, ele morreu perto da cidade. Me aproximei para conversar.

“– Maestro sua fama foi imensa, regeu todas as orquestras mais importantes. Se firmou como uma das coordenadas da Arte da primeira metade do século 20. Uma época decisiva, que até hoje baliza nossa História. Como foi ser tão grande?”

Falava baixo, lentamente, um som rascante, parecia que as ostras brônzeas das incertezas friccionavam sua garganta. Me aproximei para ouvir melhor.

“– Sou um homem de metal, mudo e silencioso. Deixo que a História que é uma ‘donna’, ‘mobile qual piuma al vento / muta d'accento e di pensiero’, fale por mim.

Fechou-se em ausência, continuei meu passeio, mas ainda ouvindo a música que ressoava.


sexta-feira, 17 de junho de 2022

2022/abr/26 – Bruxelas – Museu Magritte


Passei por Bruxelas especialmente para visitar o Museu Magritte. Estava apreciando o ‘Retrato de Paul Nougé’ quando o autor se ionizou do meu lado. Verde-elétrico, cor das coisas impossíveis.

Sorria e estalava os dedos. Fiz o comentário que viajava dentro de mim.

“– Mestre Magritte gosto muito do seu Surrealismo porque dispensa o espetaculoso e o inverossímil, é feito de coisas comuns e cotidianas, contudo nos conduz – cada vez que olhamos – ao impensado. O homem com uma maçã no rosto sempre me fascina.”

A resposta ecoou rápida como coisa repetida.

“A imaginação e o humor são as únicas armas para atravessar a banalidade da Vida, esta interminável sucessão de dias iguais e sem graça.”

Já estava saindo do museu quando captei seu último pensamento.

“- O homem de chapéu-coco com a maçã no rosto não é feliz, vive preso no paraíso.”

terça-feira, 14 de junho de 2022

2022/abr/12 – Alger|Argélia – Casa de Albert Camus


Nada, nenhuma placa, nenhuma indicação registram que Albert Camus – Prêmio Nobel de literatura de 1957 - morou nesta casa, na Rue de Lyon, 93, no bairro de Belcourt em Argel.

Porém, para quem é plugado nas vastas redes da imaginação, é possível vê-lo na janela azul, sobre a loja de celulares. Mandei-lhe uma mensagem/zap.

– Sua viagem com Oswald de Andrade em 1949 para a festa do Senhor Bom Jesus de Iguape foi só distância e cansaço?

– Terrível, uma trilogia de chateação na clave do ‘M’ em estradas ruins: Mar, Montanha e Monotonia. Isso deixa o sujeito revoltado, faz pensar na única opção do homem diante da vida, suicidar-se ou não?

Meu cursor piscava, não sabia como continuar a conversa. A banda de Camus era mais rápida...

– O que redimiu a tragédia total foi o Futebol. A quantidade de campos nas praias me lembrou dos tempos de goleiro amador nos desérticos gramados da Argélia.


terça-feira, 24 de maio de 2022

2022/abr/22 – Holanda – Jardim Keukenhof

 

Muitos meses do ano os bulbos das tulipas passam dormindo no miolo do solo, sonhando com flores elétricas, especiais, inimagináveis. Tulipas maravilhosas de sete pétalas, multicoloridas, com as sete cores do arco-íris que rompem todas as regras e alcançam a perfeição absoluta.

Apesar das utopias admitirem e desejarem o impossível, os bulbos do mesmo canteiro que dormem na mesma concha da mão da terra fria, enquanto esperam o calor da primavera, têm sonhos parecidos, convergentes. Concebem tulipas da mesma cor.

Somente alguns bulbos especiais, tresvariados, os que são tocados pelo imprevisível, têm coragem de mudar – esses são os imprescindíveis. Entre de milhares de flores vermelhas, às vezes, germina uma tulipa azul iridescente e de pétalas frisadas.

É isso que move as molas do mundo.


sexta-feira, 20 de maio de 2022

2022/abr/06 – Saara Tunisiano – Cenários Star Wars

 


... em algum momento cheguei. O deserto era desafiador, sem fim e fascinante. Binário, só céu e distância, se repetindo feito espelho distorcidos em dunas infinitas – em formas e quantidade. Cada passo novo parecia desnecessário, apenas mais um grão de areia acrescentando na coleção de excessos, não mudava nada. Até as pegadas eram rapidamente apagadas. 

Só a vontade importa, e ela – dentro do mundo ampulheta - se esvai célere, quem sabe porque o vento faminto gulosamente erode e engole tudo.

De repente, na cambiante sucessão de dunas, como uma miragem tremeluzente, feito um sonho mal formado, uma ilusão, um desejo concedido, depois do declive, aparece a porta de saída, o Espaçoporto do Planeta Totooine, iluminado pelos miasmas de um sol indeciso, incerto e nebulado.

Princípio e fim. Tudo começa e termina agora, mas o tempo incerto, vacila. Dúbio, avança, retrocede, anda em círculos, e se enrola em espirais.

Mas agora o mundo vai mudar.

quinta-feira, 19 de maio de 2022

23/abr/2022 – Atelier de Vermeer / Delft – 2 Perguntas


Enquanto Johannes Vermeer de Delft me retratava, nos dilatados intervalos de preparação das tintas, conversávamos. Centenas de perguntas agitavam minha mente, mas ele respondia morosamente, econômico, no mesmo ritmo que pintava.

Na primeira oportunidade fiz a pergunta que me assediava:

“– Mestre porque produziu tão pouco, menos de 40 telas?”

Me olhou atarantando... Dois encontros depois respondeu com uma frase inesperadamente longa. 

“– Leva tempo transpor universos. O tema é sempre de ordem difusa, dar-lhe forma, cor, peso e concretude suficientes para habitar a realidade demanda muito trabalho.”

Feliz por termos, enfim, completado um ciclo de conversa, afoito emendei:

“– Não se realiza quando vê seus quadros prontos?”

Oito sessões depois veio a resposta.

” – Meditei sobre sua questão. Acho que prefiro mantê-los nas minhas galerias interiores, melhoram continuamente.”

quarta-feira, 18 de maio de 2022

06/mai/2022 – Catedral de Colônia – Sonho Desmedido

A Catedral de Colônia (Alemanha) é feita inteira de pedra. Rochas duras, cinza-esverdeadas – cor da eternidade. Monólitos drummonianos, daqueles que aparecem no caminho de todas as pessoas e que as retinas tão fatigadas de todo mundo não conseguem esquecer, nem evitar.

Obsessão antiga, velha e vetusta. Desmedida, do tamanho de uma montanha, que a infinita pretensão humana, faz mais de mil anos, persiste em construir, cortando e empilhando imensos pedregulhos aparados. Um indisfarçado simulacro do desejo de construir uma escada para subir ao céu. Uma seta apontando para o inalcançável.

Foi atacada e bombardeada dezenas de vezes ao longo dos séculos, nas resistiu e persistiu. Por muito tempo foi o edifício mais alto do mundo.

Cada vez que entramos na catedral, nossos sentimentos se distendem e ficam dúbios, nos sentimos, ao mesmo tempo, apenas um nódulo no desenho das pedras e uma força irresistível que empolga a humanidade.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

02/dez/2021 – Salto do Yucumã / RGS – Um Abraço Esticado

 02/dez/2021 – Salto do Yucumã / RGS

De repente o Rio Uruguai, no Parque Estadual do Turvo, resolve abraçar os gaúchos, estende os líquidos braços, estica, estica até estalar os nós dos dedos das mãos húmidas.

Um amplexo molhado, amplo, generoso, ‘saudaloso’. Um turbilhão permanente de carícias e carinhos feito de barulho, água borbulhante e respingos iridescentes e multicoloridos que se estende por imensos 2.000 metros.

O rio inteiro se precipita na maior queda de água longitudinal do planeta, salto contínuo, multimilenário, ininterrupto - desde a Argentina até o Rio Grande de Sul.

Quem não fica encantado, extasiado com essa enorme, extravagante, interminável prova de carinho.