sábado, 11 de julho de 2020

Frankfurt – 4/set/2017 – Casa de Goethe


Frankfurt – 4/set/2017

Herr Johann Wofgang von Goethe é ícone da cultura germânica e mundial. Sabe disso e gosta de se exibir. Plural, habita sua casa em Frankfurt onde nasceu e cresceu replicado em bustos e quadros. Escolhi o mais elegante para conversar.
Herr von Goethe por que os alemães tem compulsão pela figura de Fausto?”
Acho que temos excesso de duas coisas: coração e razão. Somos exagerados e desgovernados. Jamais conseguimos harmonizar as partes. Ouvimos demais o Diabo da desmedida, cultivamos uma alucinação racionalizada.”
Era muita coisa para processar no hiato inter-falas. Permaneci calado.
Ouvimos pouco nosso coração. Meu Fausto não aproveitou o perfume da sua Margarida. O Fausto de Thomas Mann foi encantado pela exótica cigana Esmeralda.
Agradeci Herr von Goethe. Principalmente pela brincadeira de tartaruga.

domingo, 5 de julho de 2020

Ilha de Ios / Grécia – 8/set/2019 – Túmulo de Homero


Ilha de Ios / Grécia – 8/set/2019

Na Grécia, na bela Ilha de Ios, conversei com Homero – o poeta cego – no seu remoto túmulo à beira mar, como um barco provocando o oceano, como nós, hoje , desafiamos o espaço.
“– Poeta posso fazer algumas perguntas?”
“– Duas. Uma já fez.”
“– Compôs duas vastas epopeias, e no fundo ambas são histórias de amor. Na primeira junta dez mil barcos para resgatar uma namorada que fugiu com o namorado. Na segunda, por 20 anos, atrapalha o retorno do herói para os braços da amada. E os outros empreendimentos humanos, não são importantes como razão de viver?”
“– Todas aventuras humanas são imprescindíveis – sobretudo as pessoais – mas sem amor nenhuma vala nada. São como aqueles rebrilhos e desenhos que parecemos enxergar na ondas do mar ao pôr do sol. Acasos, brincadeiras dos deuses.“


quinta-feira, 2 de julho de 2020

New York – 23/maio/2012 – Oficina Luthier


New York – 23/maio/2012 

Na Gradoux-Matt Rare Violins (37 W 57th St New York), uma oficina de luthiers especializados em instrumentos de cordas multi centenários (Stradivari, Guarneri, Amati) era [é?] possível fazer um programa bacana. Almoçar, conhecer grandes instrumentos e ouvir música executada com eles.
Uma ideia interessante, envolvia conSerto e conCerto.

Após os trabalhos de manutenção ou restauração realizados a oficina convidava um jovem virtuose – normalmente ganhadores de grandes concursos internacionais – para fazer uma apresentação (+/- 1 hora), depois deixava os preciosidades históricas disponíveis para uma apreciação monitorada.

O programa era barato, mas curiosamente quase nunca estava lotado.

segunda-feira, 29 de junho de 2020

New York – 30/maio/2012 – THE MET

New York – 30/maio/2012

Às vezes, raras vezes, um Museu pode ser um espaço pessoal, particular, solitário, acolhedor e íntimo. Quase um portal para a introspecção transcendental. Quando o acaso, a sorte e o tempo se juntam para oferecer um presente. A chance de apreciar com vagar as extraordinárias pinturas, compara-las e alargar a dimensão delas.

Isso pode acontecer inclusive no MET  – Metropolitan Museum of Art de New York, que quase sempre está lotado. De repente uma sala completamente vazia e disponível se oferece, atrativa como uma armadilha, esperando o visitante-presa entrar para abraçar, subjugar e transportar o para outros níveis da fruição estética.

sábado, 20 de junho de 2020

Medellín / Colômbia – 9/ago/2015 – Sistema de Bibliotecas

Medelín / Colômbia – 9 / agosto / 2015

Em agosto de 2015 visitei algumas unidades do Sistema de Bibliotecas de Medellín, Colômbia. A cidade espalhou um vasto conjunto de belos e amplos edifícios – sempre de ousada arquitetura – pelos morros nas encostas do Rio Medellín, onde reside a população de baixa renda (como nos morros do Rio). A ideia é que funcionem como Centros Culturais incentivando a participação social. Oferecem, além de livros, cursos, serviços e ajuda para qualquer interessado. Na Biblioteca España fui atendido por um guia chamado Jonatas que registrava as manifestações artísticas – quaisquer que fossem – dos frequentadores.
Perguntei se gostava do trabalho. Entusiasmado garantiu que adorara. Uma frase de sua fala jamais me saiu da memória, ela deu origem a este poema “a Arte é o único registro da alma que fica depois de irmos embora”.


terça-feira, 16 de junho de 2020

10 Melhores Filmes da Década (2010 / 2019)



< Para o Grupo Clássicos do Cinema Mundial /
   Atendendo meu amigo Paulo Rogério Ribeiro) 

Qualquer escolha dos ‘10 mais’, ‘10 melhores’ é arriscada, transitória, fortuita e instável. Tem vida curta, efêmera validade, como um desenho de nuvens no céu.

É uma temeridade prepotente fazer qualquer lista deste tipo. Sou culpado e já estou arrependido. 

* NIDNIGHT IN PARIS / Wood Allen

* HER / Spike Jonze

* INTERESTELAR / Christopher Nolan

* WHIPLASH / Damien Chazelle

* ARRIVAL / Denis Villeneuve

* MONSIEUR & MADAME ADELMAN / Nicolas Bedos

* BLADE RUNNER 2049 / Denis Villeneuve

* DUNKIRK / Christopher Nolan

* MI OBRA MAESTRA / Gastón Duprat

* 1917 / Sam Mendes

* ONCE UPON A TIME... IN HOOLLYWOOD / Quentin Tarantino

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Aix-en-Provence / França – 29 / setembro / 2016 – Paul Cézanne

Aix-en-Provence / França – 29 / setembro / 2016

Muita vez Paul Cézanne – teimoso, porém ainda não famoso – saia para caminhar de manhã. Voltava sempre com uma nova pintura do Mont Sainte-Victoire, juntou umas 60 telas. Numa das manhãs resolvi acompanha-lo, era difícil ele marchava apressado.Durante o percurso em aclive, sem fôlego, perguntei: 
“– Porque pinta tanto o Sainte-Victoire?”
“– Não pinto a monte, pinto o Tempo. Me fascina, desafia e amedronta como ele transforma tudo, nós e a montanha.”
Fiquei engargalado, a dúvida havia se expandido epistemologicamente.
“– Gosto de olhar as telas pintadas para lembrar como eu era ontem. Para combater o Tempo todo dia invento um jeito novo de pintar.”
Aderi à inquietação do pintor, menos talentoso, comecei a colecionar fotografias.