quinta-feira, 12 de abril de 2018

RELENDO A HISTÓRIA – IMAGENS


O filme ‘Imagens do Estado Novo 1937-45’ de Eduardo Escorel se estende por 3 horas e 47 minutos. É longo, detalhado, abrangente, em geral precisa de duas sessões para ser apreciado confortavelmente. Contudo vale a pena, algumas das imagens exibidas fervem de novidade, apesar de todo mundo já ter lido sobre elas – como a inopinada queima cívica das bandeiras dos estados brasileiros. O documentário cobre o trânsito completo de Getúlio pelo firmamento brasileiro.

Eduardo Escoriel já está inscrito entre nossos mestres do passado e paradigmas do futuro. Seu filme
‘Lição de Amor’, de 1975, sobre uma novela de Mario de Andrade, é uma obra prima plena de ritmo, interesse, concisão e sugestões. Seu portfólio de trabalhos, mostra que é omnipresente na cena do cinema brasileiro recente. Sobretudo e quietamente é um genial montador.

Por causa da dispersão e escassez de fontes a produção do documentário sobre e meteoro Getúlio durou 12 anos, muitos deles gastos na coleta de material em acervos brasileiros e estrangeiros (Estados Unidos e Alemanha principalmente), oficiais e particulares. Com tempo e esforço a pesquisa resultou numa conjunto espantoso de imagens, repleto de fotos e filmes inéditos, inesperados e inusitados. Tudo magistralmente editado. Como previsto a versão final veio para mudar, expandir e elucidar o fenômeno do Estado Novo.

Essa vasta coleção de imagens se nos impõe reflexões. É impressionante e desconcertante, desmistificadora e relevadora. Todo mundo conhece a saga, trajetória e tragédia de Getúlio, mas, vê-las fotografadas e filmadas em arquivos pessoais e documentários oficiais “verdadeiros” amplifica nosso entendimento da História.


Roland Barthes ensina que toda foto (e fotograma) carrega consigo sua semiótica, contudo e acima disso, se constitui, sempre, num pedaço de história real capturada, o noema 'está-la' ou 'isto aconteceu'.  Portanto, no material utilizado estão registradas duas coisas: (1) a noticia e o registro do fato como acorreu e (2) a encenação ou adaptação deles pelos ‘produtores de conteúdo’ envolvidos.

É exatamente a evidencia deste descolamento revelador, capturado pelas fotos que nos permite constatar e analisar que ‘há distancia entre intenção e gesto’, e saber quando o samba tropical desafinava.


Estávamos desde muito acostumados com recorrentes e variadas teses, versões e revisões da História. Entretanto, com a eclosão das redes sócias, cada vez mais, vamos aprendendo a 'ler' melhor as fotografias. Rapidamente os 'textões' estão sendo substituídos por imagens variadas e emojis imediatos, devassando tudo. Hoje temos mais treinamento para apreciar e decodificar trabalhos como este que privilegiam registros de fotos e filmes.

Neste termos as ‘Imagens do Estado Novo 1937-45’, estão sincronizadas com o futuro.  

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