terça-feira, 27 de julho de 2021

Macunaíma – 26 de julho 1928 – 93 anos

 

Publicado em 26 de julho de 1928 (fez aniversário ontem), Macunaíma é uma excepcional rapsódia modernista de Maria de Andrade que revisita diversas tradições folclóricas brasileiras. O fio condutor é um ciclo de lendass dos índios Macuxis, da região do Monte Roraima, sobre o personagem título. Uma entidade importante na história é a arvore que dá todos os frutos, a ‘Dzalaúra-Iegue’. Imensa, pródiga e generosa, que quase toca o céu.

No livro a árvore mágica é transmigrada para S.Paulo, cresce no vasto quintal da casa do gigante Piaimã – comedor de gente - metamorfoseado pelo autor num milionário paulista, Venceslau Pietro Pietra, que roubou sua preciosa ‘muiraquitã’, um amuleto mágico e poderoso.

Mario de Andrade dá o endereço do gigante malévolo: “Venceslau Pietro Pietra morava num tejupar maravilhoso rodeado de mato no fim da rua Maranhão olhando pra noruega do Pacaembu.”

Dois termos estranhos magicam o texto: ‘tejupar’ – choça ou palhoça, uma gostosa ironia para mansão; e ‘noriega’ – ‘terra úmida e sombria na encosta sul de montanha que recebe pouco sol’ (Houaiss), uma curiosa descrição do nosso bairro, chique e antigo.

Vários autores e cronistas apontam a árvore da foto acima (na esquina das ruas Maranhão e Rio de Janeiro) como a fonte de inspiração de Mario de Andrade.

Faz muito tempo procuro esta árvore nas fotos antigas. Minha dúvida é a seguinte: o livro Macunaíma é de 1928 - quase um século atrás. Será que naquele tempo a árvore já era tão grande, capaz de incendiar a imaginação do mestre modernista paulista?

Nenhum comentário:

Postar um comentário