sexta-feira, 15 de junho de 2018

MURALHAS DE S. PAULO


Porque S. Paulo foi fundada exatamente na colina do Pátio do Colégio?


Harnâni Donato, Jorge Caldeira, Roberto Pompeu de Toledo e outros autores sugerem algumas razões combinadas:

(a) O Pátio e os Piques (Ladeira da Memória) eram pontos obrigatórios de paragem da milenar Trilha do Peabiru, que dava acesso às minas de prata andinas, grande desejo de Portugal.
(b) A Colina do Pátio era o melhor ponto de espera, observação e controle, antes de descer e depois de subir o Caminho do Mar.
c) Oferecia uma conformação topológica privilegiada, com facilidade de defesa e farto acesso a água, parecia uma península.
Foi uma boa decisão, até hoje ainda é o principal nó da ligação entre o litoral e o vasto interior da América do Sul. A escolha acertada está confirmada pelos frequentes ataques dos índios durante o período colonial. Tantas que exigiu a construção de defesas e muralhas para proteger a esquisita vila do alto da serra.

O livro
‘Pateo do Collegio – Coração de São Paulo’, de Hernâni Donato é ilustrado por uma coleção de croquis que mostram a peculiar topologia da cidade. E como foi, progressivamente, a ocupação do território a partir do triangulo dos conventos e mosteiros. São mapas muito interessantes que nunca encontrei no Google e o que livro avisa que não  podem ser ser digitalizados.

Um deles, do ano deles, de 1556, mostra uma longa muralha ou linha de defesa (talvez apenas uma cerca indígena) desde o Tamanduateí até o Anhangabaú ('rio onde o diabo lava a cara' em algumas traduções). É proibido publica-lo, mas não fazer uma transposição dele para os mapas do Google.

Duas questões curiosas: a extensão das defesas, 1200 metros (medição do Google, considerando as retificações do Tamanduateí) e a rapidez da construção, 1556, dois anos após a fundação.


A peculiar topologia de S. Paulo, segundo gravura do Debret.





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