sexta-feira, 15 de março de 2019

3 Edifícios de Gregori Warchavchic


Para quem conhece, o rosto de S. Paulo tem traços marcantes, feições bem definidas e belezas sutis, austeras e discretas. É fácil gostar e até se apaixonar pela cidade. Nossa urbe não possui acidentes geográficos espetaculares, como rios, montanhas, praias... Até a tímida Colina de Piratininga – razão da fundação da vila - foi aplainada, engolida por garagens e subsolos dos prédios ou obliterada pelas ruas e construções.

Porém alguns arquitetos souberam inventar, sobrelevar e ressaltar um certo perfil, charme e caráter paulistano. Um bando ousado, diverso e admirável. Pelo prazer de relembrar pode-se falar de Ramos de Azevedo, multiplicado e omnipresente; Christiano Stockler das Neves do Edifício Sampaio Moreira e da Estação Júlio Prestes/Sala S.Paulo;  Copan e as outras três obras de Niemayer; casal Siffredi e Bordelli do Hotel Hilton e das Galerias do Rock e Nova Barão; o colorista extravagante Artacho Jurado dos prédios Louvre, Viaduto e Planalto, para ficar no eixo São Luiz/Maria Paula. Dezenas de artistas que estão por aí, nos prédios e nos livros..

Contudo, quem ousou intervir no jeito Belle Époque da jovem e ansiosa metrópole, dando a ela vieses e escândalos modernistas, foi Gregori Warchavchic. Um arquiteto ucraniano, com especialização na Itália, que migrou para Brasil e se casou com uma herdeira Klabin. Seus primeiros projetos foram as três casas modernistas, a da Vila Mariana, Rua Santa Cruz, 325, e as duas do Pacaembu, Rua Itápolis, 961 e Rua Bahia 1126.

Construídas entre os anos 1928/30 provocaram agito. Foram assumidas como continuação da Semana de Arte Moderna. Le Carbusier visitou e elogiou a residência da Rua Itápolis. Lúcio Costa convidou o autor para dar aulas na Escola Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro.


Warchavchic viveu até 1972, aparentemente ativo. É curioso porém, depois disso tudo – comparado a outros arquitetos paulistas – deixou exígua obra construída, pouco apareceu na paisagem paulista. Além das três Casas Modernistas, projetou algumas poucas residências, a sede do Clube Paulistano e o ginásio do Hebraica. Quanto a edifícios, apenas minguados três.

*** 1940 – Edifício Mina Klabin na Avenida Barão de Limeira, 1006 – prédio de 5 andares com um visual ainda moderno, limpo e sóbrio, recebeu o nome de sua esposa.

*** 1953 – Edifício Cicero Prado na Avenida Rio Brando 1703 – uma construção de 21 andares em formato de ‘U’, perto do viaduto sobre a linha de trem. Tem visual diferenciado. Certamente quem já passou por ele se espantou com a sofisticação e ousadia do projeto arquitetônico. Continua uma bela proposta, ‘um outro jeito de morar', Artacho Jurado aprovaria.

*** 1958 – Edifício Santa Margarida na Rua Martins Fontes 159 – modesto e escondido. Trata-se de um conjunto de dois edifícios interligados com fachadas para as ruas Martins Fontes e Álvaro de Carvalho, com garagens lojas e sobrelojas. Tem linhas neutras e comuns, nada denuncia a ‘paternidade famosa’. 

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Queria agradecer ao Matteo Gavazzi (Estadão), que no artigo ‘Um Warchavchik na Rua Martins Fontes’ despertou minha atenção para esta peculiaridade no portfólio do Gregori Warchavchic.


LInk para o artigo de Matteo Gavazzi

Link para as obras de Gregori Warchavchic 

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