terça-feira, 22 de outubro de 2013

7 EPÍGONOS INTEMPESTIVOS + DÉDALO

W. H. Auden
“... as coisas por eles escritas
Irão, ao pé da página, numa nota erudita,
Para uma geração mecanizada desprezar...”
Os Epígonos (trad. José Paulo Paes)


DÉDALO
Dédalo, filho de Metion, construtor de brinquedos eróticos para a rainha Pasifae – a zoófila – poder copular com o touro de Poseidon; arquiteto do Labirinto, para esconder pesadelos e aberrações; e criador do homem alado, para fugir do palácio-enigma. Viveu assediado pelas Fúrias da tragédia, porque matou o homem que inventou a roda.


BORGES, J.L.
Jorge Luis Borges, e todas as manifestações dele, viveram exilados num apartamento de Buenos Aires, onde desaguam os rios da América do Sul – e quiça do mundo. Ponderando que a Cultura é um quebra cabeça incompleto, que cada peça é um Labirinto, um Aleph, um Zahir ou uma Biblioteca da Babilônia, que aliás são todos sinônimos.


JOYCE, J.
James Joyce, revisitando odisseias pelas ruas de Dublin, descobriu que as línguas são Labirintos, construídos de signos, sons, conotações e significados; que as frases são corredores que se bifurcam, trifurcam e ramificam; que as palavras são aberrações e quimeras que habitam pátios, praças e esquinas; e que os Minotauros vivem em grandes manadas silenciosas.

ESCHER, M.
Maurits Escher vive num mundo não-euclidiano e bidimensional, No estreito vão entre o real e a fantasia. Jogou fora 
o ontem, o hoje, algumas dimensões e todas as leis da Física. Porque tudo acontece junto no perene aqui-agora de suas ilustrações. Concentrado na precisão e transcendência do traço, por um lapso, virou um lápis.


SCHÖNBERG, A.
Arnold Schönberg, o dodecafônico, estudava com afã cabala e numerologia. Abominava o número sete e, como triscaidecafóbo, temia o número 13 e seus derivados. Gostava de ordem e concórdia, excessivamente. Nasceu e morreu no dia 13, numa sexta-feira, 13 minutos antes da meia noite, com 76 anos, 7 + 6. A sua última palavra foi ‘harmonia’.


TURING, A.
Alan Turing, Pai da Computação e da Inteligência Artificial, Matemático, Maratonista, homossexual e defensor dos direitos das máquinas e robôs. Venceu a inteligência nazista e foi quimicamente castrado pela burrice britânica. Fã de Branca de Neve, morreu mordendo uma maça saturada de cianureto. Tudo para criar o logo da Apple. Stephen Fry: Mentira Jobs? – “It isn't true, but God we wish it were!”

HAWKING, S.
Stephen Hawking – devagar como as estrelas fixas e célere como a dispersão das galáxias – se despojou de tudo para virar mente pura e contemplar o Ser eterno e infinito. Não a divindade velada e destorcida da Teologia, mas o Deus de Espinosa, que se manifesta e se confunde com Sua obra. Agora, ensina aos homens multi-conectados os segredos dos atos-pensamentos, que dilatam o Tempo e entretecem o Espaço.


WITTGENSTEIN, L.
Ludwig Wittgenstein só tinha uma certeza: ‘Sobre aquilo de que não se pode falar, deve-se calar. Assim, se dividiu em dois para ter com quem conversar. Ambos saíram em peregrinação, atravessaram o Século XX e duas guerras. Quando contavam suas aventuras, as pessoas ouviam e ficavam maravilhadas.

2 comentários:

  1. Douglas, no calor brutal de Bangkok, tirei horas sob ar-condicionado para ler "paulistando".

    Agora, estou em poesias, há pouco li por inteiro e pela primeira vez os olhos verdes do Cíclope, que ora está sendo processado na moela para mais bem digeri-lo. Certamente o mesmo ou maior tempo terei que dispensar para 101.6 days e sua lógica.

    Sobre O Horla e sua gênese, calma, calma Fernando, não misture Bangkok com o Bixiga, separe os tempos e volte ao texto amanhã, depois que a italiana dormir e você ficar isolado do mundo.

    Terei muito o que ler.

    Fernando


    ResponderExcluir
  2. Fernando, ‘calor brutal de Bangkok’ me lembra Apocalipse Now. Que bom que escolheu ler o ‘paulistando’, talvez seja a primeira vez que tenha sido lido na Tailândia.
    Como disse o ‘Ciclope’ é muito lido, porém poucos deixam comentários. Sobre o Horla e Bixiga, qualquer dia vou escrever sobre isso, da para argumentar que foi lá que surgiu paulistano que conhecemos hoje, que nos diferencia do resto dos paulistas.

    ResponderExcluir