terça-feira, 2 de abril de 2013

ATLANTES E CARIÁTIDES EM SP



Os Atlantes e Cariátides são aquelas figuras antropomórficas usadas na Arquitetura como colunas ou suportes de arcos. Quase nenhuma escola arquitetônica deixou de se aproveitar desse recurso estético. S.Paulo ainda tem um vasto número dessas criaturas espalhadas pela cidade, meio escondidas, sujas e violentadas de diversas formas. Quanto tempo resistirá a espécie?

Um dos conjuntos mais interessantes de Atlantes [1] fica no Edifício York, Rua São Bento, 290. Dois pares de gigantes, infelizmente desfigurados por desleixo e muitas demãos de tinta.

Outro belo grupo [2] – já com cores Blade Runner – envelhece no prédio do Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento, na rua Dr. Rodrigo Silva, 55, perto da Praça João Mendes. Quatro Atlantes gêmeos univitelinos, enredados pela fiação elétrica e resistindo contra todos os desprezos. Um deles já com um braço perdido na batalha.

Cariátides também nos observam das alturas [3], as mais bonitas estão no Palácio da Justiça na Praça da Sé. Pena que apenas dois modelos básicos – com livro ou com papiro – com irmãs replicantes vigiando todas as janelas.

Juntam-se ao contingente mais dois pares de Atlantes [4] (gostam de duplas, talvez para conversar na monotonia das horas). Prestam relevantes serviços na Rua Benjamin Constante, 177, perto da Casa das Arcadas. Como eram fotogênicos e estavam limpinhos e bem cuidados, ganharam homenagem de ocupar o centro da imagem.

 Nos desvãos da Pinacoteca [5], debaixo de uma escada, dois atlantes expões a musculatura (no momento inútil) porque não sustentam nada. Talvez sejam modelos padrão da gestão da cidade, porque aparecem replicados em vários outros edifícios

Um casal de Atlante e Cariátide (viva a igualdade) envelhece junto e sustenta o Palacete Nacim Schoueri [2], no Parque Dom Pedro / fim da Ladeira Porto Geral (Obrigado pela dica Alberto Viana).

Desgarrado e solitário vivia um pobre Atlante no terraço de um sobrado na Rua Almirante Marques Leão, 353 – Bixiga. Aposentando, talvez por idade, sem bolsa família, não suporta mais nada, apenas olha tristonho para a rua quieta. Uma reforma o deslocou, voltara?

8 comentários:

  1. Parabéns! Gosto muito dos Atlantes. Conheço alguns que estão quase morrendo de tanta angústia e solidão, e, principalmente tristeza, pelo descaso do poder publico que gasta milhões com virada cultural, em que, não promove cultura a ninguém. Mas, não olha para as obras clássicas públicas que contam a história da Cidade.

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  2. Muito abrigado, José Lourenço, pelo seu comentário. Temos que no futuro, como as espécies extintas, os Atlantes e as Cariátides paulistas só serão conhecidas pelos registros fotográficos. Porque, para os proprietário, que não existem incentivos para a restauração, nem mesmo dedução de impostos.

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  3. Obrigado pela informação, não sabia que estas formas tinham nomes específicos. Sempre presto atenção nos citados atlantes do Círculo do Pensamento, nos da Rua Benjamin Constant (Edifício Xavantes se não me engano) e nos do Edifício York. Há também dois no Palecete Nacim Schoueri.

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  4. Obrigado pelo comentário, Alberto Viana.
    Gostei da dica sobre o Palacete Nacim Shoueri, numa das minhas caminhadas vou passar por lá, fotografar e colocar no Blog Paulistando.

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  5. Os atlantes da Pinacoteca são réplicas dos atlantes que estão na fachada do teatro municipal.

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  6. Obrigado pela comentário. Mais do que réplicas parece que são 'sobras' ou cópias com defeito.

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  7. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

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  8. Obrigado pelo comentário.
    Sempre li que os atlantes da Pinacoteca eram cópias adicionais e de segurança dos utilizados no teatro. Vou ver o que encontro de sua explicação.

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