quinta-feira, 21 de maio de 2020

Montreux/Villeneuve / Suíça – 23/maio/2016 – Kokoschka

Montreux / Villeneuve / Suíça – 23 / maio / 2016
Quando findou a chuva primaveril, na beira do Lago Genebra, em Villeneuve, depois de Montreux, encontrei Oskar Kokoschka, o pintor noivo da ‘Noiva do Vento’.
Uma figura patética que vendeu tudo que tinha para comprar farda, espada e cavalo. Foi para a guerra, voltou ferido, perdeu a alma, a amante (que também se chamava Alma – viúva de Mahler) e a razão crítica e prática, só lhe restou a faculdade de juízo estético. Curou a dor de cotovelo dormindo com uma boneca cópia exata da amada.
Estava bidimensional e olhava fixamente para o lago.
Perguntei:
‘– Como é a vida assim, plana e dividida?'
Respondeu dúbio e desacostumado da fala:
‘– É boa, a gente vê os dois lados com clareza, esquerda, direita, sem zona cinza. Têm momentos na História que isso é imprescindível.'
Concordei. Calados, juntos, olhamos longamente a espelhada superfície do lago saciado de chuva. Cansado do silêncio me despedi e fui embora. Oskar ficou secando, atento ao vento do tempo.

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